Coordenador do PIBID/ Curso de Geografia -FABEJA, Mestre e Doutor (Phd) em Geografia - UFPE

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Doutor em Geografia (stricto sensu) - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2012); Mestre em Gestão e Politicas Ambientais (stricto sensu) - UFPE (2009); Especialista em Ensino Superior de Geografia (lato Sensu) - Universidade de Pernambuco - UPE (1998); Licenciatura Plena em Geografia - Centro de Ensino Superior de Arcoverde - CESA (1985);   Coordenador do PIBID - Geografia Professor; Orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCC, na Graduação e Pós-Graduação (Latu Sensu).

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Plano de ação de governo municipal - Belo Jardim -PE.




Plano de ação de governo - Belo Jardim -PE.

Este relatório ou Plano de ação municipal tem como base os postulados metodológicos tendo como base modelos estabelecidos pelo UNICEF para ajudar na construção do Plano Municipal de Ação. Essa ideia surgiu  após a realização do Primeiro Fórum Comunitário mundial.  A sua utilização não é obrigatória.  Os municípios podem preparar os seus Planos em outros formatos, seguindo as orientações do Guia do Primeiro Fórum Comunitário.


Em 2010 eu recebi o título de cidadão por serviços prestados na área de educação comunidade, em especial a Faculdade de Ciência Humanas e Aplicadas de Belo Jardim. Na condição de Mestrado em Gestão Ambiental na Universidade Federal de Pernambuco que me habilita a desenvolver planos na área de Gestão. Segue as 18  sugestões  para um Belo Jardim mais justo e humano.

Dr.Natalicio de Melo Rodrigues


PLANO DE AÇÃO MUNCICIPAL - POR UM BELO JARDIM MELHOR

PROBLEMA
QUEM
SITUAÇÃO PROBLEMA
AÇÃO
RESPOSÁVEIS
1. Buracos
( ruas, alamedas e avenidas.)

Prefeitura
X
COMPESA
A prefeitura age como agente saneador calçando e pavimentado ruas.
A COMPESA por sua vez, atendendo solicitação dos residentes retira calçamento e pavimento para instalação de redes de agua e esgotos, como resultados da operação gera-se o problema da não reposição dos paralelepípedos e buracos a céu aberto, causando acidentes a pessoas, veículos,  acúmulo de água parada e lixo.
a) Formação de convenio entre COMPESA e PREFEITURA, para delegar a responsabilidade da reposição dos calçamentos. Por lei a P.M.de B.Jardim, pode cobrara Taxa de Reposição do Contribuinte, valor que fica para que assume a responsabilidade da reposição, prefeitura ou COMPESA.
Prefeito, Secretária de Obras, fiscais de rua.
Obs. Câmara de Vereadores caso necessário aprovação de cobrança de taxas.
2. Ruas  escuras
Prefeitura
X
Celpe
Ruas com diversas luzes apagadas, e outras ainda sem iluminação.
a) Fazer um levantamento de rua que estão mal iluminadas;
b) Formação de Convênio com CELPE, Governo de Estado e Município, para compra e reposição de lâmpadas.
Prefeitura, CELPE (Convênio); Secretaria de Obras e Fiscais de rua (Elaboração do levantamento).

3. Obstrução de calçadas
População, comerciante.
Tem sido comum a obstrução de ruas e calçadas em Belo Jardim, uso comercial, depósitos e mercadorias, estacionamentos e lixo.
Medida disciplinar pela Prefeitura Municipal
Secretaria de Obras. 

4. Feira livre do Bairro São Pedro e Pátio dos Eventos
Prefeitura, feirantes, moradores, lojistas.
Ausência de gestão publica na organização da feira.
a) Delimitação territorial das bancas;
b) Regulamentação de área de locomoção de pessoas, carroças e veículos;
b )Estabelecer um padrão de pesos e medidas;
c) Implantação de normas de higiene e conservação e manuseio de alimentos.
Prefeitura; Secretaria de Obras; Secretaria de Saúde; CDL. 

5. Praças
Prefeitura. 
Ampliar a praças da Estação evitando as invasões em curso, que deteriora o centro da cidade causando péssima impressão e afastando os investidores.
Ampliação do Parque do Bambu e plantio de plantas fruteiras, e nativas da Caatinga, que não precise usar água.

-Criação de Pista de Skate
Prefeitura, Secretaria de Obras.

6. Animais abandonados nas ruas e rodovias.
Prefeitura, tutores,
Criadores de gado.
Muitos animais têm sido abandonados nas ruas por seus tutores. Em tal condição esses animais acabam ficando sem alimentação, abrigo, a mercê de atropelamentos e agressão por parte da população que passam a repudiar. Nas rodovias o problema é com animais de grande porte (cavalos, mulas, etc.) que vem ampliando o número de acidentes com morte.
 Criação de zoonoses; cadastramento de animais, atendimento veterinário (castração para evitar proliferação da prole), doações, etc.
Prefeitura, Secretaria de Saúde, e voluntariados, ONGS.

7. Poluição do Canal do Bitury
Prefeitura
Proliferação de muriçocas, poluição visual e ambiental de resíduos sólidos.
Retirada de lixo, melhoria de drenagem, mas com dragagem somente nas áreas de sedimentação e urbana. 
Prefeitura, Secretária de Obras. 

8. Manejo de Resíduos de construção civil
Prefeitura
Obstrução de trânsito e calçadas
Estabelecer normas de descartes, ex. caçambas e sacos de nylon, isolamento da calçada com tapumes, implantação de telefone específico (0800), a ex. da CELPE, etc.  
Prefeitura, Secretária de obras. 

9. Moto taxis
Prefeitura
Indisciplinas no trânsito, acidentes, atropelamentos e ruídos.
Regularização de normas, cadastramentos, licenças legais, padronização de taxas e serviços.
Prefeitura, Secretaria de Transporte e urbanismo.

10. Internet
Prefeitura
O acesso à internet ainda é restrito apena uma parte da população uma vez que o sistema disponível é pago e restrito as lan rouses.
Disponibilizar acesso democrático e livre a internet pelo sistema wifi.
Prefeitura, Secretaria de Infraestruturas.

11. Esportes
Prefeitura
Recuperação do Estádio Santa Cruz; Estádio Municipal; Melhoria do acesso e estacionamento do Estádio do SESC-Mendonção.
Dinamizar a prática de esportes e lazer e ampliar opções de práticas desportivas.

Criação de uma pista de Skate
Prefeitura, Secretaria de Obras.

12. Uso espaços urbano: Estacionamento
Prefeitura
O uso do espaço publico sem critério de estacionamento, impede o acesso ao consumidor, turistas e visitantes que usa os serviços públicos.
Estabelecimento de Zona Azul, criação da guarda municipal e trânsito.
Prefeitura, Sec. De Obras, DETRAN.

13. Avenida João Mendonça
Prefeitura
O Acesso a FABEJA tem gerado diversos acidentes com alunos, professores e outros usuários. A rodovia tem sido usada com área de lazer e ciclovia.

Melhoria da Iluminação da rodovia que acessa a FABEJA;  

Criação ciclovia.
Prefeitura, Governo do Estado, Celpe.

14. Politica hídrica
Prefeitura e Compesa
A politica atual adotada pode inviabilizar a sustentabilidade de consumo da cidade.
Uma politica publica de gerenciamento de recursos hídricos, juntamente com politica de preservação de nascentes, sob a coordenação da secretaria de obras, o CONSUL BITURY, Compesa, Prefeitura e membros da sociedade.
Prefeitura, Compesa, ONGS e sociedade.

15. Teatro, artes e cultura local.
Prefeitura
A falta de lazer e cultura em Belo Jardim, recuperação de valores da terra.
Desenvolvimento de ações culturais, valorização das bandas musicais retretas em praças e bairros distantes; recuperação do carnaval municipal com desfiles de blocos, recuperação da festa junina tradicional.
Prefeitura, Secretaria de Cultura do Estado, Secretaria de Cultura e educação do município, SESC.

16. Recuperação da pavimentação das ruas da COHAB III
Prefeitura
O SESC tem sido de fundamental importância na comunidade, oferecendo lazer, educação infantil e (EJA), entre outras atividades socioculturais. No entanto a comunidade vem submetida a graves problemas de saneamento, acesso agua, e ruas com pavimentação destruídas.  
Melhoria de acesso a Estádio de Futebol “Mendonção”, acesso à entrada principal, recuperação do calçamento, e asfaltamento da via principal. 
PREFEITURA, Secretaria de Obras, SESC.

17. Cidade Inclusão
Prefeitura
A politica de serviços voltada para os deficientes físicos: auditivo, visual e motor.
Melhoria de acesso a lugares e serviços públicos, faculdades, bancos, etc.
Prefeitura, ONGS e sociedade.

18. Acesso à cidade e Recuperação da Rodoviaria. 
Prefeitura-Detran
Os acessos rodoviários de Belo Jardim não oferece segurança para ambas as mãos (direito-esquerda). Com um flanco desprotegido a segurança do motorista fica comprometida e sujeira a acidentes.
Melhoria de engenharia aos acessos de entrada da cidade.

Municipalização da Rodoviaria
Prefeitura, DETRAN

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Todas as 130 secas registradas no espaço geográfico do Semiárido do Nordeste do Brasil.

ATUALIZADO
TODAS AS 130  SECAS REGISTRADAS NO POLÍGONO DAS SECAS NO SEMIÁRIDO DO NORDESTE DO BRASIL.

Autor: Dr.Natalicio de Melo 


SECA ENQUANTO PROBLEMA
(Texto de autoria de Manoel Correia de Andrade -As secas em Pernambuco, Atlas de Pernambuco.2003.)

Segundo Manoel Correia de Andrade (2003,pag.53.) ao se aborda o tema seca, dois  aspectos têm que ser considerados:o fenômeno natural e a questão econômica. Enquanto problema natural, a seca representa um fenômeno de natureza climática, corresponde a um déficit considerável de chuvas. Essa diminuição das precipitações, na estação chuvosa, associa-se sobretudo a alterações que ocorrem nas temperaturas da superfície  oceânica , ou seja, nos oceanos Pacifico e Atlântico.

Nos anos em o oceano Pacifico Equatorial não apresenta águas superficiais com temperaturas mais elevadas do que o normal, instala-se, normalmente, um período de estiagem  sobretudo no Sertão de Pernambuco.O mesmo acontece quando o Atlântico quando o Atlântico Tropical Sul se resfria. Portanto, as secas são um fenômeno natural previsível e passível de ter  seus efeitos minimizados, a partir de uma infra-estrutura que permita ao ser humano conviver bem no espaço, por mais adverso que seja.

A imprensa passa, às vezes, a ideia, para a sociedade brasileira  como um todo, que a seca é o problema maior do semi-árido do Nordeste, que ela é a responsável pelos baixos indicadores socioeconômico da região, o que não é verdade. A seca vem apenas agravar uma ausência de estrutura econômica geradora de emprego e de renda. Essa ausência é fruto de um processo histórico, que reservou à região, na economia nacional, o papel de viveiro de mão-de-obra barata para as áreas dinâmicas do País.

Assim, o fenômeno seca  existe como fato natural, impossível de ser impedido  de ocorrer,  mas seus efeitos sociais e econômicos se agravam sobremaneira ante à falta de politicas publicas mais eficientes.

Para que  o homem possa conviver com esse fenômeno geográfico, é preciso que, em primeiro lugar, seja solucionado a questão fundiária. A partir dai, o investimento em obras que embora pequenas e baratas , dão grande resultados, como cisternas, os poços tubulares e barragens-trincheiras e/ou subterrâneas, cujas técnicas de produção o próprio sertanejo conhece, pode ser algo de suma importância.   

Diversas áreas do semi-árido(...) apresenta características de um ecossistema frágil, cujo equilíbrio pode ser facilmente rompido. Nessas condições ambientais, o uso de semi-árido tem de ser repensado. Nessas condições ambientais o uso do espaço semi-árido tem de ser repensado.  Tal espaço não suporta sempre a produção em larga escala para o mercado consumidor. Ações humanas sobre esses ambientes, sem um planejamento eficiente, podem propiciar graves consequências em áreas submetidas ás secas periódicas. a maior prova disso é o acelerado processo de desertificação que vem ocorrendo em diversos quadrantes do Nordeste brasileiro, como um decorrência de formas de uso do solo inadequadas às condições ambientais desse espaço geográfico.                      / 



A cima observa-se os reflexos da continua seca e como afetou levou a colapso a barragem do Ipojuca. A imagem de satélite foi obtida do google earth elucidando as condições hídricas da barragem Pedro Moura que represa o rio Ipojuca.O ano é 2016. Em baixo a mesma barragem no período de cheia. Observe-se que a mata do tipo Caatinga foi bastante desmatada em seu entono o que contribui para a eficiência do processo de evapotranspiração. A capacidade da barragem é de 64 milhões de metros cúbicos e é administrado pela COMPESA - Companhia de águas de Pernambuco. A seca atual em belo Jardim já dura seis anos, a ultima cheia que encheu essa barragem foi em 2010 e a mesma secou totalmente em junho de 2006. 

TODAS AS 130 SECAS

ORIGEM DO DADOS *

Os dados quantitativos referentes as 130 secas registradas no semiárido do nordeste do Brasil até o Século XXI deriva de informações diversas. Os primeiro registros ocorrem no seculo XVI e são os mais antigos registros e advém  de dados do Padre João de Azpilcuetta Navarro e  Fernão padres da Companhia de Jesus.  Por sua vez os registros no Século XVII de  Joaquim Alves; no Séculos XVIII temos contribuições de Tomaz de Souza, Joaquim Alves, Euclides da Cunha conhecido autor do livro os Sertões, e o  Limério Moreira da Rocha autor do livro Russas. No Século XIX os mesmos que registraram as secas do Século XVIII se repetem, e soma-se aos registros de José Ramalho Alarcon, mas. No Século XX e XXI era moderna aparecem os registro do Instituto de Meteorologia -INMET, do da SUDENE  e do DNOCS.

O PROBLEMA DOS DADOS 

Os dados trazem problemas, porque em embora numericamente expressivo, são apenas números que apenas contabiliza o total, mas é uma informação que peca por falta de informações que elucide sua real abrangência espacial,  números de cidades atingidas

 O PROBLEMA DA  ESCALA ESPACIAL 

O polígono das secas hoje abrange 1.348 municípios situados nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, compreendendo grande parte do sertão e agreste do Nordeste brasileiro onde a seca se estabelece etc. Entretanto a quantidade de município e área nem sempre foi o mesmo. Sua área sempre foi balizada por decretos e leis de regulamentação o que dificulta o estudo. Criado por uma lei, de 13 de setembro de 1946 e após diversas alterações nos anos 1951, 63, 65, 68, 97.  Em 2005, a nova Nova Delimitação do Semi-árido Brasileiro ampliou os critérios de inclusão dos municípios, por considerar insuficiente apenas o índice pluviométrio. Atualmente os critérios que delimita o semiárido são:

1.precipitação pluviométrica média anual inferior a 800 milímetros;
2.índice de aridez de até 0,5 calculado pelo balanço hídrico que relaciona as precipitações e a evapotranspiração potencial, no período entre 1961 e 1990;
3.risco de seca maior que 60%, tomando-se por base o período entre 1970 e 1990.

Foram então incluídos 317 municípios, além dos 1.031 anteriores. A área do semi-árido passou a ser 969.589,4 quilômetros quadrados, sendo o maior aumento registrado em Minas Gerais: 51,7% do estado passarama a integrar o semi-áridoua distribuição aleatória impossibilita entender a verdadeira dimensão temporal e espacial de como cada uma das secas ocorreram.


O objetivo desse artigo é apenas agrupar, manter os registros e sistematizar sua cronologia, sua fontes,  e a contagem de dados  para dar suporte a outros pesquisadores. Não pretende-se explicar as causas, muito menos as políticas de convivência com a seca, etc. É possível observar que em alguns parágrafos há breves comentário de relatos como objetivo de dar uma sequencia ao tópico do artigo. Embora os dados dessa pesquisa seja verdadeiros, os seus registros foram coletados em livros, artigos da internet, órgão de governo, DNOCS, SUDENE, etc, mas limita-se a informação do ano em que a seca ocorreu e que foi considerado pelas agencia do estado como seca, mas carece de informação que mostre a real dimensão espacial e temporal exata de cada uma das secas, entretanto todas as secas tem uma localização espacial dentro do Poligono da Seca


A totalidade das secas registradas até o ano de 2017 é de 130 secas, e numericamente tem a seguinte representação numérica:

Século XV       5 secas é o século com menos registros; 
Século XVI      9 secas é o melhor século e mais chuvoso;
Século XVII   38 secas é o inicio do século mais seco até então registrado; 
Século XIX     23 secas é o século marcado pela diminuição do períodos de secas; 
Século XX      42 secas veio a se tornar o pior século em termos de registros de secas;
Século XXI  14 secas tudo leva a crer que vai ser séculos mais secos da historia, em 15 anos. 


A QUESTÃO DO INTERREGNO DOS LIVRO OS SERTÕES (Euclides da Cunha).



Fonte: abcdo abc.com.2015











Euclides da Cunha (1866-1909), brasileiro, engenheiro, militar, físico, naturalista, jornalista, geólogo, geógrafo, botânico, zoólogo, hidrógrafo, historiador, sociólogo, professor, filósofo, poeta, romancista, ensaísta e escritor. No seu livro que se tornou clássico denominado Os Sertões publicado em 1902, relata a  Guerra de Canudos, no interior da Bahia. Euclides da Cunha presenciou uma parte desta guerra como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo. 


Em um sub-tópico denominado As Secas relata registros de secas nos anos de 1723-1727, 1736-1737, 1744-1745. 1777-1778, 1808-1809, 1824-1825, 1835-1837, 1844-1845 e finalmente 1845-1877.
Ao relatar esses registros do fenômeno seca tipico das região semiárida do sertão nordestino, afirma que houve dois grandes períodos de ausência de seca, condições climáticas atípica da região que haveria chuvas normais e que o mesmo denomina de interregno. Cita que os tais interregno ocorreram em dois etapas distantes na temporalidade, e que os dois são muitos coincidentes em tempos de duração ambos com 32 anos, são os casos do primeiro que ocorreu no século XVIII, se iniciando no ano de 1745 e termino no ano de 1777. Quanto ao segundo interregno citado pelo mesmo autor afirma que teve a mesma duração e se iniciou coincidentemente cem anos depois, começando no ano de 1845 e findou em 1977.

CONTRADIÇÕES  

Porém há contradições no primeiro interregno nos registros das secas quando se compara com outros autores, observe na Tabela 3 que durante esse primeiro interregno de 1745-1777, há registros de 10 anos de seca. Por sua vez o segundo interregno os registro são mais compatíveis, embora haja um registro de uma seca em 1946, desse modo o segundo interregno teria durando apenas 31 sem ocorrência de seca.

O POLÍGONO DA SECA


Na região Nordeste a região do semiárido onde ocorre as secas é denominada de polígono da seca , criada em 1951 pelo governo federal para coordenar ações de convivência com as secas e diminuir seus efeitos sobre a população do semiárido. Esse recorte compreende partes de quase todos estados da região, sendo exceção o estado do Maranhão, por possuir uma maior regularidade de chuvas, tendo em vista sua aproximação com a região norte especificamente a Floresta Tropical Amazoniana, o que diferencia em relação aos outros estados do Nordeste, mas a parte mais a Leste e fronteiriça com o estado Piaui encontra-se sujeita a períodos de seca. Também influi-se nas secas a parte norte do estado das Minas Gerais. Inicialmente o Polígono abrange cerca de 950 mil km², estendendo-se basicamente pelas áreas de clima semiárido. 

Em 10 de março de 2005, o Ministro da Integração Nacional assinou, na cidade de Almenara, no nordeste de Minas Gerais, Portaria que instituiu a nova delimitação do semi-árido brasileiro, resultante do trabalho do GTI que atualizou os critérios de seleção e os municípios que passam a fazer parte dessa região. É um polígono irregular, delimitado pelo IBGE por três índices, o Índice de Aridez de Thorntwait, e as Isoietas de 800 mm, e o Risco de Seca. 

Nas áreas centrais do polígono irregular especificamente nos sertões existe um espaço, denominado de “miolão semi-árido”, (Carvalho, 1988) onde as secas são mais intensas, ali ocorrendo com freqüência entre 81 e 100%. Esse recorte espacial dispõe de uma variabilidade climática extremamente acentuada. Trata-se do coração do semi-árido. É o espaço em forma de “ferradura” onde a ausência de chuvas é determinada pelo deslocamento rumo ao Norte da ZCIT.

Entretanto, após a ocorrência de grandes secas, a área do Polígono foi ampliada, alcançando parte do estado de Minas Gerais, também atingido pelas estiagens. Quando ocorrem períodos prolongados de estiagem, a maior parte da população sertaneja enfrenta muitas dificuldades por causa da falta de água. Diversos órgãos do governo são responsáveis pelo combate às secas, especialmente o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS), que coordena programas de irrigação, construção de poços artesianos e açudes, bem como a formação de frentes de trabalho, entre outras funções, visando amenizar os problemas da população, fato que ainda hoje não se concretizou.

Quais as causas da seca?


Muitas são as teorias utilizadas para justificar as causas da seca no semiárido no Nordeste do Brasil. Umas mais recentes como é caso da ODP e outras clássicas como são os casos da climatologia. Essas justificativas variam em escala de grandeza, por exemplo, na escala maior como é o caso da ODPOscilação Decadal do Pacífico – um fenômeno climático de caráter cíclico que influencia diretamente as transformações climáticas da Terra. Há outros em escala menor  mas não menos importante e que em sua maioria se situam no campo de pesquisa da climatologia, como são os casos dos fatores e elementos climáticos. Em geral os postulados têm como base elementos que não se distribuem homogeneamente, de modo que as secas ocorridas no tempo e espaço no semiárido não estão relacionadas um só elemento isolado, mas sim um conjunto de dois, três, ou até mais elementos combinados, de modo os autores tentam justificar o fenômeno climático seca com os seguintes elementos e argumentos:


Na escala maior: 

1.ODP – Oscilação Decadal do Pacífico
  
Na escala regional:
1)   Antrópico:Desmatamento da floresta amazonas;
3)   Climático: Efeito Continentalidades;
4)   Climático:Baixos índices pluviométricos;
5)   Climático: Massas de ar tépida do Kalahari, etc.(Autor: Lucivanio Jatobá)
6)   Climático: Efeito da Célula de Walker;
7)   Climático: Déficit hídrico;  
8)   Climático: Alto índice de evaporação;
9)   Climático Precipitação pluvial espacial  aleatória;
10) Climática: Drenagem hídrica intermitente;
12) Geomorfológico:Domínios de relevo em depressões inter-planáltico; 
13) Geomorfológico: Drenagem exorreica dos rios;
14) Geomorfológico: Presenças de grandes áreas de barlaventos;

Citando alguns exemplos:

OSCILAÇÃO DECADAL DO PACÍFICO (ODP) 

A ODP – Oscilação Decadal do Pacífico – é um fenômeno climático de caráter cíclico em que se afirma sua influencia diretamente as transformações climáticas da Terra e que por sua dimensão tem uma importante  relação com o fenômeno seca no semiárido nordestino. Entretanto, ao analisar sua aplicação da ODC como os dados dos registros das secas aqui coletados, não há uma exatidão no cruzamentos das Oscilações com os fenômenos seca, embora apresente uma tendencia décadal considerada.  

A Oscilação Decadal do Pacífico ou simplesmente ODP é um fenômeno climático responsável por mudanças climáticas duradouras. Se assemelha ao El Niño e La Niña, mas enquanto estes duram até 18 meses, o ODP pode durar até 20 anos. A oscilação é marcada por duas fases bem definidas. A chamada ODP positiva, traz a seca, enquanto a ODP negativa aumenta a umidade e gera a ocorrência de chuvas. Atualmente, vivemos uma ODP positiva. Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) é um fenômeno associado à variabilidade climática do Oceano Pacífico, podendo também ser definida, como o fenômeno que descreve o comportamento térmico médio das águas do Pacífico, para períodos que vão de 20 a 30 anos.O clima do planeta é cíclico, estando em permanente evolução. Há os ciclos curtos de anos como o El Niño e a La Niña, os médios de décadas como a ODP, e os muito longos de séculos provocados pela atividade solar.

O El Niño caracteriza-se por águas superficiais mais quentes que a média no Pacífico Equatorial, enquanto a La Niña por águas mais frias que a média histórica. O El Niño produz chuva e temperatura acima da média para o sul do Brasil, e seca no nordeste. Já a La Niña está associada a secas e anos mais frios no sul e chuva acima do normal no nordeste. Por sua vez, a ODP caracteriza-se por uma tendência do comportamento da temperatura das águas do Pacífico. E está assim representada:

Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) (Negativa) => maior número de episódios de La Niñas que tendem a ser mais intensas. Menor frequência de El Niños que tendem a ser curtos e rápidos.

Dessa forma, quando a ODP está positiva, ocorre um período de 20 a 30 anos em que há mais anos secos que chuvosos no semiárido nordestino. No entanto, quando a ODP está negativa, ocorre o contrário, ou seja, um período de 20 a 30 anos em que há mais anos chuvosos que secos no semiárido. Assim, por exemplo, de 1950 a 1976 a ODP esteve negativa, período em que houveram várias La Niñas fortes, o que resultou em anos muito chuvosos no nordeste do Brasil como nas décadas de 60 e 70. 

Já nos anos 80 até aproximadamente 1999, a ODP apresentou-se positiva, foi justamente quando ocorreram os dois El Niños mais fortes do século passado (1983 e 1998), estes coincidiram com as duas secas mais terríveis que acometeram o semiárido. Além desses dois anos muito secos, ocorreram secas violentas também em 1980, 1981, 1982 e 1990. Como a ODP é um fenômeno cíclico, ocorre uma alternância em sua natureza, assim após uma ODP positiva, ocorre uma ODP negativa, e vice-versa. Nessa ótica, pode-se afirmar que a partir do ano 2000, a ODP tornou-se novamente negativa, prova disso, é que do citado ano até 2010, não ocorreu nenhuma seca forte no semiárido, apenas secas moderadas em 2003, 2007 e 2010, ao passo que ocorreram anos chuvosos em 2000, 2001, 2006, 2008 e 2009, e anos ligeiramente secos como 2002, 2004 e 2005, sendo que nesses dois últimos anos, grande parte dos reservatórios de água sangraram. Com base na analise da ODP, é possível afirmar que pelo menos até 2020, no semiárido nordestino, ocorrerão mais anos chuvosos que secos, pois até lá a ODP deverá manter-se negativa.


Fonte: Kevin/NOA. Google.com.2016.

A justificativa de Aziz Ab'Saber

Ao analisar esse comportamento da natureza no semiárido nordestino, o Dr. Aziz Ab'Saber, chegou a afirmar que os componentes delimitador do recorte regional denominado semiaridez advém de três  elementos naturais; as isoietas que mensura as precipitações pluviometria que do ponto de vista teórico quase sempre pode variam entre 750 a 800 milímetros, e sempre distribuídas  sazonalmente e espacialmente de modo anárquico; um outro é a rede de drenagem, essa de características intermitente sazonalmente e exorreica espacialmente, de modo que sua rede de drenagem se dar em direção ao oceano atlântico; um outro elemento é a própria vegetação, aqui lembro as palavras do saudoso Aziz Nacib Ab'Saber quando afirma: (...) Não existe termômetro para delimitar o Nordeste seco do que os extremos da própria vegetação da Caatinga.  Entretanto embora se possa delimitar espacialmente tendo como marcos divisores o sistema natural da cobertura vegetal do tipo Caatinga, a seca é sempre mais frequente no sertão continental, mais amena no agreste meridional, e totalmente ausente no brejos de altitude e fundos de vales, e em algumas áreas que bordeiam o curso médio do rio São Francisco.

a) Drenagem exorreica do rios 
Esse fenômeno segundo Aziz Ab Saber, refere-se a forma de como se organiza a rede de drenagem hídrica. No nordeste brasileiro repete-se o fenômeno geológico hídrico nacional que tem como característica principal a drenagem exorreica. Esse temo de uso na Geografia, especificamente na hidrogeologia diz a respeito da forma de drenagem do conjunto de rios de suas bacias em direção ao oceano. Esse direcionamento exorreico é devido a forma domática dominante no  relevo central do Brasil denominado de Planalto Central como se observa na figura abaixo. Note que o centro do Brasil tem sua base de relevo central elevada. Esse formato elevado é o responsável pela drenagem exorreica, ou seja de cima ondes estão situados as cotas de relevo mais altas para baixo onde se situam as planícies brasileiras que recebem os sedimentos advindos das erosões do rio e sua águas que drenam ao oceano Atlântico.
.

Quanto ao nordeste, especificamente o polígono das secas esse fenômeno geológico se repetem no que diz respeito a drenagem que ambos se direcionam ao oceano Atlântico. Porém as diferenças climas ticas são contrastantes, isso porque no Sul e Sudeste as precipitações são mais regulares o que propiciam uma drenagem regular e perene do rios, ao contrario do nordeste os rios são intermitentes, ou seja so aparecem regular no período de chuvas.  Observe que quanto se compara um mapa do polígono das secas e uma mapa de drenagem como que vemos adiante, ver-se nitidamente que se assemelham bastante.

A figura a esquerda e acima elucida o comportamento temporal e espacial da drenagem intermitente e exorreica do nordeste durante o período das chuvas quando os rios saturam o solo e passam a ter capacidade de escoamento superficial que abastece o sistema de barragens urbano e o barreiros e cisternas do meio rural. FONTE: Governo Federal - Projeto de Transposição- Caminho das águas. 2010.  



A figura a direita e acima elucida o comportamento temporal e espacial da drenagem intermitente e exorreica do Nordeste durante o período da seca ou após a época das chuvas ou verão como denomina os nordestinos, ou ainda o magrem (citado por George Hargreaves) etapa em que a capacidade de escoamento cessa, ficando apenas as águas retidas nas superfícies e locadas em barragens, açudes e pequenos lagos, sem esquecer as águas represadas nos lenções freáticos rasos. FONTE: Governo Federal - Projeto de Transposição- Caminho das águas. 2010.

O conceito de Seca

O termo seca só é usado quando a estiagem ultrapassa um ano sem chuva, desse modo a seca pode variar entre um para a menor e até, quatro, seis, sendo alguns ciclos maiores de onze para a maior já registrada pela SUDENE. 

Atualmente estamos em uma seca que se acentua desde o biênio chuvoso 2009-2010(ultima cheia) e seca com chuvas de inverno irregular e esparsa, ou ainda sem chuvas  em 2011,2012, 2013, 2014, 2015 que vem se estendendo até julho de 2016. Registros da SUDENE apontou que essa atual seca já atinge mais de 1.400 cidades com rodízio de água. No caso particular da praça sede desse blog situado no agreste de Pernambuco em Belo Jardim teve seus reservatórios urbano em colapso em março de 2016, 

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia INMET as secas é um fenômeno natural que ocorre quando se verifica o déficit de precipitação pluviométrica por um longo período de tempo provocando danos no decorrer normal da atividade humana, especialmente, nos setores agrícola e pecuário e abastecimento urbano. 


Quantas secas já ocorreram no Semiárido nordestino? *

Não se sabe ao certo quantas vezes a seca ocorreu. Mas se sabe a quantidades dos registros escritos, e até o anos de 2016 essa pesquisa apontou 130 secas incluído o ano de 2016

Embora no século XVI disponha apenas de registros de três secas, é possível que tenha ocorrido outras dada as condições naturais de semiaridez já citadas. Assim a contagem é apenas das secas que se tem registros. A duas secas do Século XVI foram registradas pelo Padre João de Azpilcueta Navarro, padre da Companhia de Jesus, dos primeiros a serem catequistas no Brasil, no século XVI, foi também o primeiro mestre e missionário do gentio, o primeiro nas entradas evangelizadoras aos sertões, que varou em 1553 em Porto Seguro - 350 léguas de périplo, às cabeceiras do rio Jequitinhonha, São Francisco.



  

Figura 1 e 2: João de Azpilcueta Navarro, padre da Companhia de Jesus, pioneiro em registra a seca no semiárido nordestino, e dando grande contribuição para os registros. Fonte. Wikipédia.com.

As secas do Século XVII foram contabilizadas 6 secas todas registradas por Joaquim Alves um Odontologia formado pela Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará. Exerceu sua profissão pelo interior cearense vindo depois se radicar em Fortaleza, onde se dedicou ao Magistério e desenvolveu suas inclinações para as ciências sociais que deram origem aos seus valiosos estudos publicada sobre as secas como o caso da obra História das Secas: Séculos XVIII e XIX, o mesmo faleceu em Fortaleza a 8 de junho de 1952. 

Comenta-se que a pior seca de temporalidade continua e a seca dos sete anos, que se iniciou em 1721 e findou apenas em 1727 o registro da seca desse período é atribuído a Tomaz Pompeu de Souza, embora o mesmo não tenha vivenciado a seca, porque os eventos ocorreram bem antes.

Os registros das secas do século XVIII que totalizou 37 secas, sendo considerado o mais secos de todos, sendo os registro desse século atribuído nove a Tómaz Pompeu de Sousa, e 23 registros de Joaquim Alves. Por sua vez o século XIX com 23 secas e que coube também a Joaquim Alves. Os dados mais recentes das secas do Século XX e XXI são dados Instituto Nacional de Meteorologia – INMET. Euclides da Cunha (Figura a direita) autor do livro os Sertões também registrou o fenômeno da seca no semiárido nordestino.


AS SECAS DO SÉCULO XVI*


O primeiro registro de seca na história do Brasil é devido ao padre jesuíta Fernão Cardim, que chegou ao Brasil em 1583 em companhia do jesuíta visitante padre Cristóvão Gouvêa. De 1583 a 1590, o padre Cardim viajou na costa brasileira de Pernambuco ao Rio de Janeiro e fez um relato epistolar que se constitui no primeiro documento a registrar uma seca no Nordeste (Cardim, 1925). Segundo ele, desceram dos sertões para o litoral de quatro a cinco mil índios apertados pela fome.






O Século XVI registrou três secas, uma primeira em 1533 e uma segunda em 1583. Nessa etapa cogitou-se a construção de barragens para reter as águas, embora não haja  registro de construção de barragens nesse período. Mas é certo que a politica de açudagem veio a começar nesse século como foi o caso da Barragem de Cedro, mas sua conclusão ocorreu apenas em 1906. Desse modo a construção serve apenas para delimitar o período, embora a construção tenha ocorrido na fase republicana.


Tabela 2: A tabela acima deve ser aplicada a todos as demais tabelas do texto. Observa-se que a primeira coluna e mostra a quantidade de anos secos no citado século; a segunda coluna o registro do ano calendário; a terceira o controle somatório; a quarta coluna a duração da seca, podendo ser um ano, dois, três, etc; por fim a duas últimas colunas das fonte utilizadas na pesquisa.

1533 – Ocorre o primeiro registro de seca no Estado da Bahia no Nordeste, feito pelo Padre Aspilcuetta Navarro.

Oficialmente a primeira seca oficial durante o Período  Colonial se inicia cronologicamente em 1583 porque foi a partir dessa que os registros históricos registram o primeiro problema que leva a identificação do fenômeno seca. Embora as secas são registradas desde o descobrimento, a primeira seca historicamente constatada foi em Pernambuco em 1583. Seguiram se quatorze secas no Século XVIII, doze no Século XIX e dezoito no Século XX. Uma das secas remotas foi responsável pela expulsão dos holandeses que tentaram se estabelecer no Ceará.

O ano de 1583 ficou conhecida pela longa estiagem faz cinco mil índios se deslocarem do Sertão de Pernambuco e Rio Grande do Norte para o litoral em busca de alimentos e registrada por Fernando Cardim.

Segundo o jesuíta Fernão Cardim, cronista citado por Joaquim Alves, relator da primeira notícia sobre seca na região. Relatou que entre os anos de 1580 e 1583 houve tão grande seca em Pernambuco que as fazendas de açúcar e mandioca nada produziram, e as populações portuguesas e indígenas foram atingidas duramente pela fome.

Dos sertões desceram quatro a cinco mil índios famintos que buscavam socorro nas fazendas do litoral. Durante as secas os índios, acossados pelas necessidades de  subsistência, lutavam entre si pela posse das melhores terras, mais ricas em caça e pesca e apropriadas para as suas culturas. Segundo o autor a luta contra as secas foi um dos traços marcantes da vida das populações indígenas.

A seca de 1587 ocorreu não somente no Nordeste do Brasil, segundo o site da Revista Superinteressante cita que  a ilha de Roanoke, Virgínia, costa leste dos Estados Unidos, também foi atingida pela seca que, essa afirmação decorreu a partir do registro do abandono dos  colonos por essa região. Afirma-se que não sobrara ninguém para contar o que houve. O registro da seca ficaram gravados nos troncos das árvores do local. Foi há apenas dez anos, observando a espessura de seus troncos, e com estudo da dendrocronologia cita que alguns com 800 anos de idade, que os cientistas decifraram o que houve em Roanoke quatro séculos atrás. A tragédia, concluíram, foi causada pelo clima: entre 1587 e 1589 ocorreu a maior seca dos últimos oito séculos em Roanoke. Os colonos haviam chegado bem no começo da estiagem. Morreram de fome. 


SÉCULO XVII


A primeira tentativa organizada de adentrar os sertões semiárido do Ceará se deu com a expedição de Pero Coelho, que iniciou em 1603 e terminou tragicamente em 1605. Afirma-se que Durante a  Pero Coelho perdeu a mulher, os filhos e muitos soldados. A marca triste da retirada foi a fome nos sertões do Ceará e do Rio Grande do Norte, que "traduzem a esterilidade e abandono desses sertões" (Barroso, 2004, p.63). A expedição Pero Coelho é considerada a primeira epopeia das secas no Nordeste e teve como consequência o retardamento da ocupação dos sertões(CAMPOS,2014).


O Século VII for registrado nove secas a de 1603, 1606, 1608, 1614/1615, 1645, 1652, 1692/1693 sendo sete  registrado por  Joaquim Alves,  e uma por Fernão Gardin faz citações da secas nestes anos. A última assolou na época a produção agrária de Pernambuco, sendo a primeira reconhecida como autêntica por dados registrados por Joaquim Alves (INMET, 2000), e não há também registro de construção de barragens.


Aziz Ab’Saber(1995) afirma que em um trabalho aprofundado, a História das Secas (Séculos XVII e XIX), Joaquim Alves registra sobre duas  questões sobre a seca afirma que o colono português desconhecia as consequências das secas.


Existem referências sobre uma das grandes secas do século XVI, ocorrida no ano de 1583, em que grupos indígenas da região dos Cariris Velhos, dos agrestes e dos sertões interiores viram-se obrigados a descer para a costa, solicitando socorro aos colonizadores. As secas se repetiram no decorrer do século XVII, nos anos de 1603, 1614, 1645 e 1692.


Na medida em que se ampliava e aumentava o povoamento dos sertões, as consequências das secas tornavam-se mais radicais e dramáticas, fossem elas “gerais” ou “parciais”. Por secas gerais entendia-se aquelas que abrangiam o espaço total do domínio semiárido; e parciais eram as que incidiam em determinados setores dos grandes espaços das caatingas,
situados mais ao norte, mais ao sul, ou com penetrações na direção dos agrestes orientais.


Desde o início da colonização, o sistema de transporte implantado nos sertões do Nordeste pressupôs o uso de montarias. O cavalo facilitava os deslocamentos de pessoas e mercadorias pelo leito seco dos rios; pelas veredas situadas à margem de pequenas e estreitas matas ciliares; ou pelos primeiros caminhos rasgados no dorso das colinas sertanejas.


Tabela 2: Observa-se que durante o século XVII ocorreu cinco secas e todos constam no registro de Joaquim Alves.

Esse século foi muito importante, porque foi o período em que a construção do espaço sertanejo inserido na zona de semiaridez foi sendo ocupada por fazenda de gado. A ocupação do sertão semiárido do interior do Nordeste pelos portugueses foi lenta até a primeira metade do Século XVII.

 A partir da segunda metade do século, com a penetração dos colonos nas terras de criação de gado, os registros de ocorrência de secas passaram a ser mais frequentes. Os registro do Senador Tomaz Pompeu relata eventos de seca desse período nos anos de 1603, 1614, 1645, e de 1692 a 1693.

Uma das consequências imediatas da estiagem de 1692 a 1693 foi a migração das populações para as regiões das minas, despovoando fazendas e abandonando currais. Foi assim no passado e continua sendo assim atualmente, embora permaneçam sempre núcleos populacionais que recomeçam as atividades (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, 2013).

Os memorialistas e historiadores do passado deixaram uma vasta documentação que registra os fatos, principalmente a partir do final do Século XVII, quando houve a ocupação mais efetiva do Semiárido nordestino pelas fazendas de gado e o fenômeno seca. Abordam as causas das secas que ocorreram no semiárido dos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, nesses relatos documentam suas consequências, registrando fatos como, por exemplo, o abandono das fazendas e as dramáticas migrações para o litoral, tanto de tribos indígenas quanto de colonizadores, por vezes com perdas totais de populações humanas e seus rebanhos.


O Século XVIII : A ocupação dos sertões semiárido

O Século XVIII marca a ocupação dos sertões(ANDRADE,1986) fazendo surgem as grandes fazendas de gados e consequentemente por sua inserção no semiárido os primeiros registros das secas com seus impactos sociais e econômicos. Algumas secas mais intensas outras menos, que sempre acabar resultando em mortandade e dizimação de rebanhos. Uma das secas de maiores secas e impactos no período Colonial iniciou em 1777 e persistiu até 1778. Nessa seca, que ficou conhecida como a seca dos três setes, estima-se que foram dizimados sete oitavos do rebanho do Estado do Ceará(CAMPOS.20140) 
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O Século XVIII foi o mais seco de todas as eras, foi o século das 38 secas, inclusive o maior período já registrado nos últimos 500 anos no polígono da seca do Nordeste do Brasil. Foi também nesse século que a ocupação do semiárido foi mais intensa do  principalmente com a atividade pecuária, cresceram a população e os rebanhos no interior. No livro os Sertões de Euclides da Cunha encontra-se registro de varias secas do século XVIII. 


Tabela 3: O registro de 38 secas faz do Século XVIII o mais secos de todos.

Nesse século que também se iniciou o desenvolvimento da cultura do algodão (ANDRADE, 2003), e coincide com um dos mais secos que sem tem registros, segundo Tómas Pompeu de Sousa Brasil, conhecido por Senador Pompeu, (1818 - 1877)  político nordestino cearense e brasileiro e também de Joaquim Alves, que foi o autor de “História das Secas”, as secas do Século XVIII totalizaram 33 secas. Entretanto vale salientar que as secas não ocorreram necessariamente em todos os estados em sua totalidades espacial, mas sim de forma espaçada e dispersa, principalmente no sertão da Paraíba, Pernambuco, Ceará e R.G.do Norte, mas sempre regional e dentro do polígono só semiárido, pode ser que durante essas estiagem estivessem chovendo  em alguns dos outros estados.
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O primeiro biênio da segunda década foi registrado duas secas seguidas, as de 1710/11. Mas a pior seca o a longa estiagem que se iniciou em 1721 e se prolongou até 1727 totalizando sete anos seguidos se seca, é segundo essa fonte a mais longas que se tem registros. Há descrições do Senador Pompeu de Sousa Brasil que essa seca atingiu os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. A seca e a fome fez assolar pela região, secou fontes, estagnou rios, esterilizou lavouras, e dizimou quase todo o gado. (CAPRE/INEMET,s.d).

A maior de todas as estiagem no semiárido: 1720/1727


Essa foi uma das maior seca registradas que atingiu a região semiárido do  Nordeste – principalmente a área em que, na época, ficava a Capitania de Pernambuco. Grupos de índios fugiram das serras e invadiram fazendas. Além da seca, uma peste assolou a região no mesmo período, causando uma enorme mortalidade nas populações mais frágeis, especialmente os escravos.

Em 1722 a estiagem atingindo o ápice, matou numerosas tribos e fauna e flora do sertão semiárido. Em 1723 o Governador da Bahia  D. Diogo Luís de Oliveiraconde de Miranda, foi um militar e administrador colonial português que se notabilizou como governador da Capitania da Bahia durante o período de dominação espanhola, expressou a falta de esperança na safra de tabaco em decorrência da seca.

Após essa longa estiagem as secas se alteram nos anos: 1730, 1732, 1734/35 nesse biênio o Estado da Bahia perdeu toda a safra de açúcar e tabaco, 1736/37, acumulou quatro anos de seca e vai de 1744/47.

Os registros de Joaquim Alves e Senador Pompeu são citando por vários cronistas e historiadores dos séculos XVI a XIX, narra a história das secas que atingiram a Região Nordeste naquele período, flagelando as populações colonizadoras e indígenas.

1776/1778

Essa foi mais uma seca combinada com um surto de doença, no caso, a varíola. A taxa de mortalidade foi altíssima, não só de pessoas, mas também de animais, principalmente o gado. A solução encontrada pela Corte Portuguesa foi repartir as terras adjacentes aos rios entre os povos flagelados (SUPER, 2014).


SÉCULO XIX foi o terceiro mais seco e foi registrados 23 secas.

Nesse século muitas secas aconteceram ficaram marcadas no Brasil Império. A última registrada antes da tragédia de 1887 se deu em 1845. Passaram-se 32 anos de bons invernos nos quais houve crescimento dos rebanhos e das populações não acompanhados pelo fortalecimento de infraestruturas de açudagem e de estradas. Criou-se uma população altamente vulnerável que assim se desenvolveu por desconhecimento da geografia física e das variabilidades do clima regional.




 Fonte:Newton Silva.

Quanto ao Século XIX foram registrado 23 secas, sendo que ocorreu cinco  biênios de secas. O primeiro foi o de 1803-1804; o biênio 1808-1809; 1814; o biênico de seca de 1824-1825; e 1829-1830; 1833; o de biênio seco de 1844-1845; 1870; 1877-1878; 1879; e por fim os quatro biênios de seca 1888-1889; 1898 totalizando 21 secas.



A seca de  1803-1804, seguindo do um biênio 1809-1809,  quase  levou a extinção de todo o gado do Sertão do Ceará; a de 1824-1825, 1835-1837 castigou o estado do Rio Grande do Norte e provocou grandes migrações para outros estados do Brasil, além desse fator populacional muitos morrera  nas viagem, foi também nesse ano que o Nordeste  foi reconhecida oficialmente reconhecido como uma área de seca que  atingiu os estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará deixando um quadro de morte e miséria. 


As secas continuaram no anos de 1845 a 1877 decorreram 32 anos relativamente sem grandes problemas (excetuado 1870 com alguma escassez). No período não há registro de obras de convício com as secas. 

Uma curiosa tentativa de minorar o sofrimento dos sertanejos com as secas ocorreu em julho de 1859 quando, por encomenda do Governo Imperial, o navio francês Splendide desembarcou no porto de Fortaleza 14 camelos que vieram para procriarem e apoiar as populações no transporte pela caatinga do semi-árido. Entretanto, essa tentativa fracassou pela falta de adaptação dos camelos ao solo duro e pedregulhoso. Em 1995 a Escola Imperatriz Leopoldinense exaltou o fato no se enredo de Carnaval com o tema MAIS VALE UM JEGUE QUE ME CARREGUE QUE UM CAMELO QUE ME DERRUBE. . 

A seca bienal de 1877 / 1879.

1877 Calcula-se que 500 mil pessoas morreram nesse ano por causa da seca. O Estado mais atingido foi Ceará. O imperador dom Pedro II foi ao Nordeste e prometeu vender “até a última jóia da Coroa” para amenizar o sofrimento dos súditos da região. Não vendeu.

Em 1877, ano em que teve início o mais longo período de estiagens do Nordeste no século XIX, o Imperador destacava que a prolongada falta de chuvas em algumas províncias do Norte teria acarretado “provações inerentes a semelhante flagelo” (FALAS DO TRONO, 1977, p. 443). O imperador ainda voltaria ao tema defendendo a criação de políticas públicas que minimizassem, no futuro, os efeitos “de tamanha calamidade” (FALAS DO TRONO, 1977, p. 446).


O pesquisador José Henrique Artigas de Godoy cita que pouco antes, em 1875, o cearense José de Alencar, em O sertanejo, havia traçado um retrato da seca, da fome e da miséria do interior do Nordeste, condições que foram reforçadas em Os Sertões, de Euclides da Cunha, quando cunhou  a imagem de região abandonada, ao descrever a luta diária contra as agruras do meio, que exigiria do homem uma resistência característica em face do ambiente inóspito e do domínio do latifúndio.

Aconteceu então uma das secas de conseqüências mais graves da História do Nordeste: a seca de 1877-1879. Segundo Euclides da Cunha antes dessa seca houve um grande trégua em não se registrou seca, que foi o interregno de 1845-1877. Essa seca, que atingiu todo o Nordeste, segundo fontes da SUDENE essa seca matou de sede e fome cerca de 500.000 nordestinos  do Ceará e das vizinhanças,na capital Fortaleza o registro de mortes atingiu  119.000 pessoas. No total cerca de 50% da população morreu.

Dos mortos de 1877 a 1879, calcula-se que 150.000 faleceram de inanição e 100.000 de febres e outras doenças, 80.000 de varíola e 180.000 de fome, alimentação venenosa e sede."A construção de barragens se inicia nesse século com a construção da Barragem de Cedro no Ceará.





Vitimas da Seca no estado do Ceará. Fonte;Fortaleza em fatos e fotos. 2015.

O fenômeno também gerou uma grande migração: 120 mil nordestinos fugiram para a Amazônia e 68 mil partiram para outros estados brasileiros. O governante na época, o Imperador Pedro II, visitou o Nordeste e prometeu vender até a última joia da Coroa para amenizar o problema(BUENO,2014). As chuvas voltaram a cair um pouco em fins de 1878, repetindo a seca em 1879.  Entretanto a declaração do Imperado ficou apenas no registro histórico(SUPER, 2014). 


Acredita-se que a Grande Seca que ocorreu de 1877 a 1879 ceifou a vida de mais da metade das 1.754.000 pessoas que residiam na área atingida pela tragédia. Esse foi de longe a maior catástrofe gerada por fenômenos naturais que ocorreu no País.


Poucos brasileiros nordestinos sabem que o ano de 1877 foi marcado pela identificação do primeiro fenômeno natural denominado seca, ou que a Grande Seca como ficou conhecida no Nordeste que embora teve duração  de apenas três anos deixou marcas na historia  até hoje. Na época o  estado do Ceará, foi um das províncias (hoje estados) dos  mais atingidas, na época com 1,5 milhão de habitantes, perdeu mais de um terço da sua população de maneira trágica, tendo sido palco de migrações em massa  de flagelados.

TABELA DE REGISTROS*

XIX(23)
1803
1/23
1/2
Joaquim Alves


1804
2/23
2/2
Joaquim Alves
Limério M.Rocha

1808
3/23
1/2
Joaquim Alves
Euclides da Cunha

1809
4/23
2/2
Joaquim Alves

1816
5/23
1/2
Joaquim Alves
Limério M.Rocha

1817
6/23
2/2
Joaquim Alves


1824
7/23
1/2
Joaquim Alves
Euclides da Cunha

1825
8/23
2/2
Joaquim Alves

1830
9/23
1
Joaquim Alves
Limério M.Rocha

1833
10/23
1
Joaquim Alves


1835
11/23
1/3
Euclides da Cunha


1836
12/23
2/3
Euclides da Cunha


1837
13/23
3/3
Euclides da Cunha


1842
14/23
1/1
Limério M.Rocha


1844
15/23
1/3
Joaquim Alves
Limério M.Rocha

1845
16/32
2/3
Joaquim Alves
Limério M.Rocha

1846
17/23
3/3
Joaquim Alves


1877
18/23
1/3
Joaquim Alves
Euclides da Cunha

1878
19/23
2/3
Joaquim Alves
Euclides da Cunha

1879
20/23
3/3
Joaquim Alves
Euclides da Cunha

1888
21/23
1/2
José Ramalho Alarcon
Limério M.Rocha

1889
22/23
2/2
José Ramalho Alarcon
Limério M.Rocha

1898
23/23
1
José Ramalho Alarcon
Limério M.Rocha
Tabela 4: Um dos séculos mais secos com 23 registros  que inclui também a pior seca que se tem registro, embora tenha apenas durando apenas três anos, mas foi a que sensibilizou o Governo Imperial.

Figura 2: Quadro Retirantes de Candido Portinari. Fonte: portainari.org. 

Uma curiosa tentativa de minorar o sofrimento dos sertanejos com as secas ocorreu em julho de 1859 quando, por encomenda do Governo Imperial, o navio francês Splendide desembarcou no porto de Fortaleza 14 camelos que vieram para procriarem e apoiar as populações no transporte pela caatinga do semi-árido. Entretanto, essa tentativa fracassou pela falta de adaptação dos camelos ao solo duro e pedregulhoso. Em 1995 a Escola Imperatriz Leopoldinense exaltou o fato no se enredo de Carnaval com o tema MAIS VALE UM JEGUE QUE ME CARREGUE QUE UM CAMELO QUE ME DERRUBE.

As secas deixaram marcas que não se apagam por mais que os anos passem. A Grande Seca que ocorreu de 1877 a 1879 ceifou a vida de mais da metade das 1.754.000 pessoas que residiam na área atingida pela tragédia. Esse foi de longe a maior catástrofe gerada por fenômenos naturais que ocorreu no País.

Poucos brasileiros nordestinos sabem que o ano de 1877 foi marcado pela identificação do primeiro fenômeno natural denominado seca.  A Grande Seca como ficou conhecida no Nordeste teve duração  superior a três anos deixou marcas na historia  até hoje. Na época o  estado do Ceará, foi um das províncias (hoje estados) dos  mais atingidas, na época com 1,5 milhão de habitantes, perdeu mais de um terço da sua população de maneira trágica, tendo sido palco de migrações em massa  de flagelados.

Em 1880, logo após essa Grande Seca, o Imperador D. Pedro II que esteve na área atingida, nomeou uma comissão para recomendar uma solução para o problema das secas no Nordeste. Essa comissão resultou uma promessa do imperador Pedro II — de que empenharia até a última jóia da coroa para acabar com a seca do Nordeste.

As principais recomendações foram a construção de estradas para que a população pudesse atingir o litoral e a construção de barragens para suprimento de água e irrigação no Polígono das Secas cuja área é superior a 950.000 km². Isso marcou o início do planejamento e projeto de grandes barragens no Brasil. A primeira dessas barragens foi Cedros (126 milhões m³) situada no Ceará, começou a ser construída em 1844, mas sua conclusão só ocorreu em 1906.

A Grande Seca (1877-1879) de devastadoras consequências impactou o Governo Imperial, tendo o próprio imperador Pedro II estado no local assolado pela seca. Importante consignar que em sessões sob o comando do Conde D’Eu no Instituto Politécnico situado na Corte, foi debatido amplamente o problema das secas no Nordeste.

O Açude do Cedro foi umas das primeiras grandes obras de combate à seca realizadas pelo Governo Brasileiro. A ordem de construção foi dada por D. Pedro II em decorrência do grande impacto social provocado pela seca de 1877 - 1879. Nesse contexto se inicia a construção do o açude do Cedro em 1884, mas só ficou pronto em 1906. A barragem de 15,5 metros de altura e 415 metros de comprimento é toda de pedra talhada a mão, guarnecida por esculturas de pedra e grades de ferro importadas. Seus 128 milhões de metros cúbicos de água não chegam para matar a sede da região de Quixadá e os equipamentos de irrigação só beneficiam alguns poucos.

Figura 3: Açude de Cedro -Açude do Cedro localiza-se em QuixadáCearáD. Pedro II, deu a ordem de construção, porém a realização deste foi feita entres os anos de 1890 e 1906. 

No ano de 1882 o primeiro projeto foi feito pelo próprio Jules Revy que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas. Às vésperas do início das obras, ocorre a proclamação da república e a consequentemente a retirada de Revy.
Após modificações no projeto realizadas em 1889 pelo engenheiro Ulrico Mursa substituto do Jules Revy da Comissão de Açudes e Irrigação (atualmente DNOCS), as obras foram finalmente iniciadas  em 15 de novembro de 1890, ou seja 13 anos após a seca. Sua conclusão, após várias interrupções, foi em 1906 quase trinta anos após a seca, já sob coordenação do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro. O período entre o primeiro projeto e a inauguração foi de 25 anos e suas obras contaram, em grande parte, com o emprego de mão-de-obra dos flagelados da seca.

O SÉCULO XX foi o segundo mais seco da história das secas, sendo registrado 42 secas.

O século XX iniciou com uma seca abrangendo todo o Nordeste. Foram ainda registradas secas em 1900; 1903; 1915; 1919; 1932; 1942; 1933;1942; 1951-1953; 1958-1959; 1966; 1970; 1976; 1979-1983 e 1990-1993 totalizando, até a atual data 25 secas no século. Contudo esse século caracterizou- se por instalação de política de formação de um infra-estrutura hídrica de barragens em números que chegam a 70 mil. Porém se considerar a capacidade de armazenamento acima de 70 mil metros cúbitos esse numero fica relegado a 69 barragens.

Criado em 1909, o Instituto de Obras Contra as Secas (IOCS) referia-se à categoria geográfica Nordeste como o espaço onde se concentravam as áreas que sofriam com os efeitos das longas estiagens. Dez anos depois, o IOCS se tornou Instituto Federal (IFOCS), precursor do atual Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), criado em 1945. Segundo Durval Muniz de Albuquerque Júnior, o Nordeste é filho das secas (ALBUQUERQUE JR, 2009).

Curiosidade sobre a seca de 32 no Ceará: O Campo de Concentração de Ipu.

A seca e interesses políticos levaram a construção do Campo de Concentração de Ipu no período em que ela mais se alastrou que foi de julho de 1932 a fevereiro de 1933, onde ocorreram muitas mudanças na cidade principalmente em termos de desenvolvimento, visto que neste período a cidade cresceu em obras públicas. Com a acentuação da seca e a chegada crescente de imigrantes o governo determinou a construção desses Campos de Concentração no intuito de isolar os mais afetados por ela, e lá eles receberem assistência do governo.  Em todo o Estado foram construídos sete campos em lugares próximos as estações de trem, isso para facilitar o “aprisionamento” dos retirantes. Dentre os sete campos construídos, um foi no município de Ipu .

O Campo de Concentração de Ipu como regra ficou localizado em um lugar bem distante do centro da cidade, precisamente na localidade do Espraiado, para lá foram conduzidos vários retirantes de diferentes lugares. O governo aponta um número de 9.000 mais não se sabe o número exato desses flagelados que ficaram estalados nesse local, visto que houve indícios de fraude na administração do interventor que na época era Joaquim de Oliveira Lima.

Os flagelados que iam se instalando em “currais do Governo,” tinham que obedecer a diversas regras, uma das quais eram proibidos de saírem do campo, exceto os que iriam trabalhar nas obras públicas da cidade. Esses “encurralados” apesar disso não ser reconhecido pelo governo contribuíram de alguma forma para a sociedade, entretanto o governo o que só viam o lado em que eles eram os causadores de transmitirem doenças, por isso o afastamento desses imigrantes do restante da sociedade e a mercê do poder público para sobreviver a custa de “migalhas” dadas  pelo governo.




                                Retirantes da Seca de 1932 -Fonte:professorfranciscomello

Em 1918, último ano da gestão presidencial de Venceslau Brás, a ideia de D. Pedro II de transposição das águas do rio São Francisco foi transformada em projeto oficial. Naquele ano o governo federal gastou 2.326 contos de réis com obras na região. No governo seguinte, do paraibano Epitácio Pessoa, os investimentos no Nordeste chegaram ao ápice durante o período da I República, atingindo 145.947 contos de réis (POMPONET, 2010, p. 3). Logo após a posse, Epitácio propôs um conjunto de obras para o Nordeste, no sentido de preparar a região para as secas:

Sabe-se hoje que no Nordeste há irregularidade, mas não faltam chuvas. Tudo está em poder armazenar as águas caídas nos meses chuvosos, para gastá-las na irrigação durante os meses de seca. Construídas as barragens para a formação de açudes e abertos os canais de irrigação, virá por si a colonização das terras por essa gente laboriosa, cuja coragem e resistência assombram os que não lhe conhecem as virtudes. (PESSOA, 2004).


Nesse período vale registra o destaque da seca de 1919/1921, essa seca muito grave, que atingiu principalmente o sertão de Pernambuco, fez aumentar muito o êxodo rural do Nordeste. A imprensa e a opinião pública pressionaram e exigiram uma atuação eficaz do governo para resolver o drama das famílias afetadas. Com isso, em 1920 foi criada a Caixa Especial de Obras de Irrigação de Terras Cultiváveis do Nordeste Brasileiro, mantida com 2% da receita tributária anual da União. Apesar disso, nada foi feito para efetivamente resolver o problema.

1934/1936 Essa foi uma das maiores secas enfrentadas pelo Brasil (que se tem registro). O longo período de estiagem não ficou restrito ao Nordeste: além de afetar nove estados na região, Minas Gerais e São Paulo também sofreram com a falta de chuvas. Depois disso, o problema no sertão nordestino passou a ser encarado como um problema nacional (Superinterressnte,2014).





XX(42)
1900
1
1
INMET
Limério M.Rocha

1903
2
1
José Ramalho Alarcon


1904
3
1



1907
4
1
José Ramalho Alarcon
Limério M.Rocha

1909
5
1



1910
6
1
INMET
Limério M.Rocha

1914
7
1/2



1915
8
2/2



1917
9
1



1919
10
1
José Ramalho Alarcon
Limério M.Rocha

1921
11
1/2
José Ramalho Alarcon


1922
12
2/2
José Ramalho Alarcon


1924
13
1
José Ramalho Alarcon


1930
14
1



1932
15
1
INMET
Limério M.Rocha

1934
16
1/4
Superinteressante


1935
17
2/4
Superinteressante


1936
18
3/4
Superinteressante


1937
19
4/4
Superinteressante


1942
20
1
DNOCS


1945
21
1
DNOCS


1951
22
1/4
DNOCS


1952
23
2/4
DNOCS


1953
24
3/4
INMET


1954
25
4/4
DNOCS


1958
26
1/2
INMET
Limério M.Rocha

1959
27
2/2
INMET


1962
28
1/3
DNOCS


1963
29
2/3
DNOCS


1964
30
3/3
DNOCS


1966
31
1
DNOCS


1970
32
1
INMET


1976
33
1
DNOCS


1979
34
1/7
INMET


1980
35
2/7
INMET


1981
36
3/7
INMET


1982
37
4/7
INMET


1983
38
5/7
INMET


1984
39
6/7
INMET


1985
40
7/7
INMET


1998
41
1/2
INMET


1999
42
2/2
INMET



Tabela 5: O Século XX com 42 secas foi o segundo mais seco, mais foi também um dos mais importantes períodos do qual se concretizou toda a politica de açudagem do Semiárido, as 68 maiores barragens foram construídas nesse período.

 No século XX, outros autores continuaram estudando e registrando os fatos sobre o fenômeno das secas na região segundo dados do MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, 2013, foram registrados 25 secas, são desses períodos as secas de 1900, a de 1903 destruiu toda a lavouras, 1915, a de 1932 afetou a vida de 3 milhões de nordestinos, a de 1953 atingiu o Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

1915 A intensidade da estiagem levou o governo a reestruturar o Instituto de Obras Contra as Secas (Iocs), que passou a construir açudes de grande porte. Até então, o Iocs se concentrava em perfuração de poços, confecção de mapas e abertura de estradas.

A seca de 1958/59  foi terrível e assolou o Nordeste. Nessa época o presidente do Brasil Juscelino Kubitschek seguiu, em 17 de abril, para o interior do Ceará, não só para avaliar a gravidade da situação, como para visitar as obras do açude de Araras, regressando três dias depois. Outras secas se sucederam nos anos de 1970, 1979, 1980/83 formando o triênio de seca, sendo considerado a maior seca do século XX, e finalmente o biênio de 1998/99.
1963/1964

A seca que começou em 1963 foi gravíssima. A estiagem bateu recordes em várias estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal. Até a Amazônia sofreu com falta de chuva. Além disso, uma onda de calor muito forte assolou o país(super, 2014).




Jornal Folha de São Paulo registrou a seca de 64. Fonte: Folha de São Paulo.
O Século XX foi iniciado com outra seca no Nordeste, como de costume, só em época de calamidades é que obras e organismos governamentais são efetivados, mas sempre marcados por ações pretenciosa e de submissão ao políticos locais.

Em 1918, último ano da gestão presidencial de Venceslau Brás, a ideia de D. Pedro II de transposição das águas do rio São Francisco foi transformada em projeto oficial. Naquele ano o governo federal gastou 2.326 contos de réis com obras na região. No governo seguinte, do paraibano Epitácio Pessoa, os investimentos no Nordeste chegaram ao ápice durante o período da I República, atingindo 145.947 contos de réis (POMPONET, 2010, p. 3). Logo após a posse, Epitácio propôs um conjunto de obras para o Nordeste, no sentido de preparar a região para as secas:

Sabe-se hoje que no Nordeste há irregularidade, mas não faltam chuvas. Tudo está em poder armazenar as águas caídas nos meses chuvosos, para gastá-las na irrigação durante os meses de seca. Construídas as barragens para a formação de açudes e abertos os canais de irrigação, virá por si a colonização das terras por essa gente laboriosa, cuja coragem e resistência assombram os que não lhe conhecem as virtudes. (PESSOA, 2004).

Em 1919, no governo de Epitácio Pessoa, esse órgão passou a se denominar Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas IFOCS. A IFOCS manteve a construção de açudes, tendo implantado mais de vinte açudes públicos com destaque para Forquilha e Quixeramobim, ambos no Ceará.

Com a eleição de Artur Bernardes à presidência da República em 1922, houve a suspensão de todas as obras e a IFOCS quase desaparece; seu sucessor, Washington Luiz, eleito em 1926, dá prosseguimento ao processo de inanição da IFOCS. Registra-se que durante os oito anos desses dois mandatos, a soma dos recursos destinados à IFOCS representou apenas 20% dos recursos despendidos nos dois últimos anos do governo de Epitácio Pessoa que os antecedeu. O antigo IOCS se transformou, na gestão Epitácio, em IFOCS, sob uma circunscrição administrativa de atuação que deu origem à primeira elaboração oficial da categoria geográfica e administrativa Nordeste.

Com o golpe de estado de 1930, assume a presidência Getúlio Vargas que nomeia José Américo de Almeida para o Ministério de Viação e Obras Públicas que, por sua vez nomeia o engenheiro Artur Fragoso de Lima Campos inspetor geral da IFOCS. Em 1932 Lima Campos faleceu em acidente aéreo, tendo sido substituído pelo engenheiro Augusto da Silva Vieira. Em 1932 ocorreu uma seca severa e o canteiro de obra da barragem de Patu que havia sido paralisada em 1923, se transformou em um campo de concentração, um cemitério de quinze mil mortos-vivos. A barragem foi concluída em 1986, 65 anos após o início de suas obras.

Seu reservatório, com 71,8 milhões de metros cúbicos de capacidade  daria para atender  60% da atual população de Senador Pompeu mas, segundo Francisco Luís de Araújo, residente da Empresa de Assistência Agropecuária do Ceará, a irrigação se devidamente implantada poderia beneficiar três mil famílias, quando apenas 36 famílias fora beneficiadas com a irrigação.

1934/36 Considerada a maior seca de todos os tempos até o início dos anos 80. Aestiagem se estendeu pelos nove Estados nordestinos e chegou a Minas Gerais. Apartir dela as secas do sertão do Nordeste passaram a ser encaradas como flagelos nacionais.

Em dezembro de 1945 o presidente José Linhares e seu ministro Maurício Joppert da Silva transformam a Inspetoria no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - IOCS em DNOCS -Departamento Nacional de Obras Contra as Secas que, a partir do ano seguinte sob o governo Dutra se mantém com recursos exíguos e praticamente limitados às obras de construção de açudes, sem dar seguimento a obras de irrigação e de piscicultura, recursos para formação de mão de obra, financiamento para a mecanização para a lavoura e a pecuária, ou difusão de insumos, muito menos estruturas de estocagem, meios suficientes para a expansão de observações e estudos hidrológicos, acesso a crédito, etc.

Devido as opressões e condições salariais no DNOCS, populares satirizavam a sigla afirmando significar: Deus Não Olha Casaco Sofrer, Sofre Casaco Obrigado Nesse Departamento. 

Somente com o retorno de Getúlio Vargas à presidência, desta vez eleito, e que o orçamento do DNOCS, ainda que insuficiente, foi duplicado em relação ao orçamento deixado pelo seu antecessor, é então retomadas as obras de diversas barragens tais como Orós-CE (2,5 bilhões) que hoje é a segunda maior do Nordeste, Araras-CE (1,0 bilhão de m³) a sexta maior,  Banabuiu-CE com 1,7 bilhão hoje a quarta maior do Ceará e do Nordeste,  Boqueirão das Cabaceiras na Paraíba (420 milhões m³), e Cocorobó. Nesse período tiveram início os estudos da hidroelétrica de Boa Esperança, posteriormente transferida para a COEBE e, depois incorporada à CHESF.

Os estudos de projeto de construção do Açude Araras por exemplo, tiveram início no ano de 1920 e, após uma série de paralisações, foram concluídos no ano de 1938. Posteriormente foi projetada e construída pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS, com a consultoria da Cementation do Brasil S.A. - Engenharia Geral.

Os anos JK
Ao assumir o governo federal, Juscelino Kubitschek, embora obcecado pela sua meta síntese de construção de Brasília, concentrou  recursos  para a implantação da nova capital. Nesse interim o Nordeste, em particular o DNOCS foi prejudicado pela concentração de  drenagem de recursos para construção de Brasília, assim muitas suas obras ficaram sem recursos e sem crédito.

A mais notável prejudicada das obras foi a da construção do açude de Orós, teve o seu colapso anunciado com meses de antecedência pelos dirigentes do DNOCS dada a incapacidade financeira e de crédito para concluir a barragem antes do período de chuvas.
Açude de Orós -CE .Fonte:www.orosfm.

Vale lembrar aqui que a obra foi construída a esmo e sem planejamento, com fundo politico acabou virando uma tragédia nacional, e por ironia e descaso politico as aguas que deveriam sanar a sede do povo de animais acabou servido de sepulcros e destruição.

Há 50 anos a barragem do Açude Orós, ainda com obras em andamento, começou a acumular água. As chuvas do ano de 1960 intensificavam-se, caindo torrencialmente. Provocaram o transbordamento das águas do açude. Uma enchente de grandes proporções inundou inúmeras cidades do Vale do Jaguaribe. Mais de 100 mil pessoas ficaram desabrigadas.

A SUDENE por sua vez concorreu com eficiência para a divulgação leviana da idéia de que a capacidade dos açudes então existentes seria suficiente para atender à demanda de água do semi-árido para qualquer seca que viesse a acontecer. A política de implantação de açudes foi, então, brecada até que as secas intensas ocorridas no início dos anos oitenta demonstraram o equívoco dessa postura.

O governo Jânio Quadros, foi outro presidente que pouco ajudou o combate a seca, implantou um politica perseguidora com relação aos dirigentes do período anterior, interrompeu em 1961 a concessão de subsídios à construção de açudes particulares por regime de cooperação e desacelerou a implantação de açudes públicos. Não registro de construção de açudes nesse período de governo, o mesmo se pode dizer do  governo de João Goulart, quando  o DNOCS passa à categoria de autarquia em junho de 1963 e fica sob a coordenação da SUDENE em ocasiões de emergência.

O REGIME MILITAR E AS POLITICAS CONTRA AS SECAS

Após a deposição do governo Goulart, o DNOCS passa a ser gerido por sucessivos coronéis do Exército pouco versados nos problemas do semi-árido. Em 1999 assumiu o governo o general João Batista Figueiredo e, em seguida, em paralelo ao segundo choque do petróleo, ocorreu a severa seca entre os anos de 1980 a 1983. A mais importante obra desse período foi a construção da barragem de Açu também conhecida por Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves no Rio Grande do Norte, com a capacidade de 2,4 bilhões de metros cúbicos de acumulação.

1979/85 A mais longa e avassaladora seca deste século foi marcada por uma onda de saques que chegou ao auge em 1981. Essa foi uma das secas mais prolongadas da história do Nordeste: durou 7 anos. O auge do problema foi em 1981. Na época, o ditador-presidente João Figueiredo chegou a fazer uma declaração dizendo que só restava rezar para chover. Não deu certo. A seca e o governo acabaram juntos.A estiagem deixou um rastro de miséria e fome: lavouras perdidas, animais mortos, saques à feiras e armazéns por uma população faminta e desesperada. No período, 3.5 milhões de pessoas morreram, a maioria crianças sofrendo de desnutrição (SUPER,2014).

1997/99 Os sinais mais graves da estiagem começaram a ser sentidos em outubro do ano passado. Desta vez, um fenômeno social tornou-se marcante na briga para resistir ao flagelo ambiental: os ataques a mercados, feiras e prefeituras das cidades sertanejas.
A década de 90 sofreu com os efeitos do fenômeno El Niño, que causa o aumento das temperaturas das águas e traz várias consequências para o clima – entre eles, o agravamento de secas no Nordeste. A seca do final dessa década foi terrível. Foram 5 milhões de pessoas afetadas, saques a depósitos de comida devido às mortes de animais e lavouras perdidas. A seca foi tão grave que Recife passou a receber água encanada apenas uma vez por semana(SUPER, 2014).

SÉCULO XXI PODE VIR SE TORNANDO O MAIS SECO DA HISTÓRIA DAS SECAS

Observando os dados o ver-se que o século XXI apresenta uma tendencia de se tornar o mais seco entre todos, a continuidade do ciclo atual aparece como a segunda maior seca ocorrida no Semiárido do Nordeste brasileiro. Atualmente a região vivenciam um novo ciclo de seca 2012, 2013,2014, 2015, 2016 e se vem de prolongando até Março 2017.

Tabela 9: As secas de 2012, 2013, 2014, 2015, 2016  e atual 2017 pode se tornar o segundo ano do segundo quinquênio de seca no nordeste. 

2001
A seca de 2001 foi um prolongamento do período de seca do final da década de 90, que teve uma trégua em 2000. O Rio São Francisco sofreu com a pior falta de chuvas de sua história, causando uma diminuição drástica do volume de suas águas. Para piorar a situação, a falta de chuvas em todo o Brasil contribuiu para a pior crise energética que o país já viveu, somando a estiagem prolongada à falta de investimentos no setor.
2007/2008
Em 2007, ocorreu a pior seca da história no norte de Minas Gerais, região do estado de clima semiárido. Não choveu nada entre março e novembro de 2007 e as precipitações abaixo da média continuaram durante o ano seguinte. No total, foram 15 meses de estiagem. Durante o período, foram registrados quase 54 mil focos de incêndio e mais de 190 mil mortes de cabeças de gado. Centenas de municípios decretaram estado de emergência.

Segundo dados do Censo Demográfico 2010, entre 1970 e 2009, mais de 157 mil pessoas deixaram a zona rural por causa da seca, são dados do ultimo sendo. O abando do  campo se deve principalmente, pela pouca condição de convivência com a seca que embora seja  um fenômeno natural, pouco o governo faz para minimizar a calamitosa situação o que não deveria, um fato que  ainda surpreende a muitos. Mas, no entanto poucas sabem que essa situação no século atual com a conivência das autoridades e na verdade um crime contra os nordestinos.

2011-2016

A seca de 2012 terminou com grande prejuízo para os criadores do Nordeste, segundo os dados da pesquisa Produção da Pecuária Municipal, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), divulgada na última semana do ano dava conta de que  a região perdeu 4 milhões de animais. Acredita-se que esse numero poderá dobra em 2013.

O nordeste brasileiro enfrenta no atual século XXI um novo ciclo de seca que vem ocorrendo desde as últimas chuvas de inverno regular ocorrido em 2009. Porém tem ocorrido um nova irregularidade na dinâmica das massas de ar que atuam no nordeste semiárido, de modo que ocorrendo um novo ciclo de seca, esse último e atual que se iniciou em 2010 e se estende até o presente ano de  2016, vindo a constituir não temporalidade mas no grau de sequidão como a  maior seca dos últimos 50 anos em termos quantitativos de pessoas afetadas, são  de 1.400 municípios afetados, e matando cerca de 10 milhões de cabeças de gado. Por ironia com é de costume sempre anunciada pelo Governo brasileiro. A seca deste ano já é pior do que a do ano passado.

Oficialmente o numero é 1421, mas segundo  levantamento realizado pelo UOL com as defesas civis estaduais, até a terça-feira (22/11/2013), o numero apontava para 1.794 municípios nordestinos que já tinham confirmado o estado de emergência, o que representa mais da metade do total de cidades. O número ainda pode crescer, já que alguns Estados ainda estão recebendo decretos das prefeituras.

Seca de 2014 no Semiárido
Estado
População
Municípios
% do Estado
Alagoas
458.042
59
58,7
Bahia
2.917.684
276
90,5
Ceara
1.995.939
177
96,0
Paraíba
918.666
202
90,5
Pernambuco
1.281.618
130
70,2
Piaui
1.192.344
 211
94,1
R.G.do Norte
500.000
160
95,8
Sergipe
104.006
41
54,6
Maranhão
326.683
76
35,0
Minas Gerais
300.000
89
-
Total
10.046.982
1.421
-

FONTES**
Uol.COM; EM.COM; ONU.cOM; Blog do Jamildo; Agencia Brasil;R7;Blog do José Cruz. Figuras: portinari.org.br. Dados não atualizados (Falta inserir dados de 2015, 2016).
ALBUQUERQUE JR., D. M.. A invenção do Nordeste e outras artes. 4. ed. São Paulo: Cortez,
2009 [1994].
AB'SABER, A.N.No dominios das Caaatingas. livro arte, Rio de Janeiro-RJ.1994/95.
D.N.O.C.S. http://www.dnocs.gov.br
CUNHA, Euclides. Os Sertões - Campanha de Canudos. 1ª edição: Rio de Janeiro, Laemmert, 1902.
CARDIM. livro com notas de Caetano, Capistrano de Abreu e Rodolfo Garcia disponível em <www.brasiliana.usp.br>

CAMPOS,J.N.B  Secas e políticas públicas no semiárido: ideias, pensadores e períodos-
Programa de Recursos Hídricos, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza/CE, Brasil.
ROCHA, L.M. Russas Sua Origem, Sua Gente, Sua História. Recife-PE.
FALAS do trono. Brasiliense, São Paulo, 1977. [IMPÉRIO]
JATOBÁ,L; SILVA,A.F. O Nordeste Brasileiro A Convivência com a Seca, Recife, Bagaço, 2015.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO,Secretaria de Política Agrícola,  Departamento de Economia Agrícola, Coordenação-Geral de Estudos e Informações Agropecuárias Informativo sobre a Estiagem no Nordeste - nº 30 28/02/2013.
REVISTA SUPERINTERESSANTE - Os 10 maiores períodos de seca no Brasil.  19 de agosto de 2014 por Luiza Antunes.
GODOY, JOSÉ HENRIQUE. Os Nordestes de Freyre e Furtador- A seca de 32 . Política & Sociedade - Florianópolis - Vol. 12 - Nº 24 - Mai./Ago. de 2013 61 – 88 61.José Henrique Artigas de  odoy2:professorfranciscomello.blogspot.com.b