Coordenador do NEPE, PIBID de Geografia -FBJ, CoordenadorMestre e Doutor (Phd) em Geografia - UFPE

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Doutor em Geografia (stricto sensu) - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2012); Mestre em Gestão e Politicas Ambientais (stricto sensu) - UFPE (2009); Especialista em Ensino Superior de Geografia (lato Sensu) - Universidade de Pernambuco - UPE (1998); Licenciatura Plena em Geografia - Centro de Ensino Superior de Arcoverde - CESA (1985);   Coordenador do PIBID - Geografia Professor; Orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCC, na Graduação e Pós-Graduação (Latu Sensu).

sábado, 21 de maio de 2016

As relações geomorfológicas e geológicas aplicadas ao Inselbergue da Pedra do Cachorro(São Caetano-PE) e o Pão de Açúcar (Rio de Janeiro-RJ).



As relações geomorfológicas e geológicas aplicadas ao Inselbergue da Pedra do Cachorro (São Caetano-PE) e o Pão de açúcar (Rio de Janeiro-RJ).

O uniformitarismo é um princípio científico que originalmente já se encontrava presente na obra de James Hutton, mas foi Charles Lyell (1797-1875) o responsável por fazer renascer as concepções huttonianas, numa Inglaterra que nos inícios do século XIX, na época em que estava dominada pelas correntes diluvianistas, que tentavam conciliar os relatos bíblicos do Dilúvio com os registos geológicos.
Na forma de obra publicada aparece entre 1830 e 1833, com o título Principles of Geology da autoria do naturalista inglês. Ao longo deste tratado, considerado como um marco importante na história da Geologia, que é considerado um dos precursores da geologia moderna. A teoria uniformitarista baseia-se na reprodução uniforme dos dados observáveis em fenômenos geológicos atuais, para a interpretação da ocorrência destes fenômenos no passado. O presente é Chave do passado é a marca dessa teoria.
Hoje sua aplicabilidade podem ser somadas a outras teorias, como é caso da Tectônica da Placas, nessa condição permite-se interpretar as mudanças do passado observando o comportamento dos fenômenos presente nos ambientes atuais. Tomemos como exemplo o caso das semelhanças e diferenças entre o Pão de Açúcar situado no litoral da cidade do Rio de Janeiro-RJ e a Pedra do Cachorro-PE situada no Agreste setentrional do semiárido do Nordeste do Brasil, observa-se que ambos objetos naturais guardam grandes semelhanças geomorfológicas e climáticas pretéritas entre si no passado e no presente atual. 
Esse modo de comparação na verdade tem como base as recomendações presentes nos pressupostos do geógrafo nascido na Alemanha Karl Ritter (1769-1859) e o francês  Paul Vidal de La Blache (1845-1918), que no Principio da Analogia recomenda que o geógrafo após delimitar e localizar o objeto de estudo, proceda compara-la  com outra área, buscando semelhanças e diferenças. Dessa forma e em conformidade com as recomendações desses pressupostos, optamos por comparar o Pão de Açúcar com a Pedra do Cachorro. 
Desse forma tomando por base teórica  a Tectônica de Placas e o principio do Uniformismo,  tudo leva a crer que o Pão de Açúcar foi no passando quando da existência da Gondwana um inselbegue, isso porque quando da união dos continentes americano e africano durante a era Mesozoica e inicio do Perído Cretaceous, nessas condições temporais geológicas, o clima onde se situa hoje o Pão de Açúcar era mais áridas e portanto diferentes das condições úmidas atuais. 
Assim, sob essa condições climáticas semiárida pretéritas, é possível que  o ambiente onde se situa hoje o Pão de Açúcar era continental interiorano, e o  oceano Atlântico que o bordeia hoje nem se quer existia, o que leva a crer em afirmar que a umidade geomorfológica em apreço era mais bem alta, nesse período de semiaridez predominava então um processo erosivo semelhante ao processo de pedimentação visto no semiárido do nordeste atual, o mesmo se pode afirma que predominava processos erosivos do tipo intemperismo físico. 
Hoje ao contrário das condições geomorfológicas e climáticas do  passado, o Pão de Açúcar se encontra sob condições climáticas tipicas de áreas tropicais litorâneas, e sua dinâmica erosiva era predominante do tipo química, condições que em geral encontra-se sob processos geomorfológico do tipo dissecação algo comum nos ambientes úmidos presente no litoral do Brasil atual.   


Pão de Açúcar - Rio de Janeiro-RJ
Figura 1: Observa-se na paisagem aspectos arredondados nas camadas superior das faces rochosas o que denotam a ação erosiva química por hidratação dos cristais das rochas. No centro entre os blocos rochosas onde o desnível é moderado o desenvolvimento do solo eluvial sobre o qual cresce a vegetação e agre o intemperismo biológico. Fonte: riodejaneironow.com.2015.

O Pão de Açúcar constitui hoje um dos principais cartões postais do Rio de Janeiro, conhecido no mundo do turismo, um importante quadro natural, e que sob ponto de vista da paisagem consiste na verdade em 2 morros de granito. O primeiro bloco rochoso é denominado Morro Praia Vervelha, fica cerca de 220 metros acima do nível do mar, o segundo bloco é o Morro do Pão de Açúcar que fica a 396 metros. O bondinho que transita entre eles percorre uma distância entre eles de 1.330 metros é feito em 6 minutos.

Inselbergue  Pedra do Cachorro - São Caetano-PE 

Figura 2: Observa-se que as feições do inselbergue da Pedra do Cachorro (São Caetano-PE) guardam importante relação geológica, geomorfológica e paisagística com o morro do Pão de Açúcar (Rio de Janeiro-RJ), embora ambos se encontram em condições geológicas semelhantes, tem por outro lado suas condições geomorfológicas e temporais denotam uma grande inversão, o Pão de Açúcar foi inselbergue no passado, por sua vez a Pedra do Cachorro foi no passado um ambiente úmido e o seus morros estavam sob processo de dissecação e intemperismo quimico. Autor: Natalicio de Melo Rodrigues, 2015
Na parte mais alta do Pão de Açúcar  por sua condição geográfica e altitude permite observar uma paisagem que mescla aspectos naturais do continente e do oceano, de moto que torna-se possível observar de cima vários pontos da cidade, como mais notoriedade as praias do LemeCopacabanaIpanemaFlamengoLeblon, e outros morro como são os casos da Pedra da Gávea, maciço da Tijuca, Corcovado com a estátua do Cristo Redentor, e no oceano a Baía de Guanabara, enseada de Botafogo, partes do centro da Cidade, Aeroporto Santos DumontIlha do Governador, e as cidades de Niterói, a estrutura urbana de rede denominada Ponte Rio-Niterói e, ao fundo, a Serra do Mar e o pico Dedo de Deus.
Localizado praticamente na costa litorânea brasileira e que ocupa a borda leste da Placa sul-americana, é sob o ponto de vista geomorfológico um grande monólito rochoso formando bloco único de rocha ígnea do tipo granito que se estende ao longo da Baia da Guanabara, constituindo uma importante feição geomorfológica que lembra pães de açúcar, antiga forma de blocos de açúcar exportado na época do ciclo do açúcar do Período Colonial, quando do domínio português.
Por suas características geológicas rochosas do tipo granito ígneo cristalino, denotam que sua origem geomorfológica tenha advindo de condições geológicas pretéritas, o que leva a crer que ele foi formado pelo esfriamento dentro de um bolsão de gnaisses metamórficos, possivelmente em centro de zona de convergência, que esteve ativa há pelo menos 80 milhões de anos atrás no final do Período Pré-Cambriano.
Sua condição geomorfológica atual elucida também a história do seu passado geológico de sua formação, e o que ocorreu internamente antes de sua atual exposição externa erosiva. Na condição atual remota, com a separação das Placas Sul-americana e Africana, delineou-se uma series de ciclos erosivos e a ações do intemperismo que engloba os tipos físico, principalmente o químico e biológico, própria de climas quente úmido, esses típicos de áreas litorâneas, vem ao longo atuado nos flancos de granito que formam os monoblocos rochoso que compõe sua paisagem natural.
Quando essas massas rochosas são afloradas, essas forças compressivas cessam e a rochas sofrem descompressão permitindo que os agentes externos, chuvas, ventos, vegetação entre outros se acentuam nas superfícies rochosas expondo a superfície suas feições levemente curvadas como resultados da erosão.

Pão de Açúcar-Rio de Janeiro-PE
Figura 3: Concepção artística cientifica geológica da possível estrutura imersa do Pão de Açúcar. Por ser uma baia é possível que essa concepção esteja correta. Fonte: Universidade se São José dos Campos- SP. 2016.

A parte mais alta denominada Pão de Açúcar é na verdade do ponto de vista da geografia física um promontório, um cabo que em geral é constituído por rochas íngremes de uma montanha rochosa em que sua maior parte é imersa e sua menor parte é elevadas . O seu contorno arredondado é típico em formações de granito homogêneo com nuances de juntas que em eras geológicas estiveram no centro de gigantesco batólito maciço. Essas massas graníticas a medida que vão perdendo temperatura e esfriando cristalizam, e muito vezes ficam confinados por forças verticais e horizontais em razão do peso de sua massa rochosa acima dele.

Quanto ao inselbergue Pedra do Cachorro localizado em São Caetano-PE, cidade da Microrregião do Vale do Ipojuca, Mesorregião do Agreste de Pernambuco não tem a mesma notoriedade que o Pão de Açúcar, por outro lado tem um grande potencial turístico ainda não explorado, embora possua mais altitude, com seus 1038 metros de altura, torna-se possível visualizar várias cidades do agreste, como é caso de São Caetano, Caruaru, Belo Jardim, Brejo da Madre de Deus, Tacaimbó, Jataúba, isso durante o dia, a noite devido a emissão de luzes da cidades é possível visualizar e identificar outras cidades.

Vista sob o cume da Pedra do Cachorro - São Caitano-PE
Figura 4; Observa-se em primeiro plano a Serra da Onça em tom de cor verde e cinza, sua altitude é de  971 metros e que constitui parte do conjunto de morros que formam os divisores de água que compõe parte da Bacia do Rio Ipojuca. Em segundo plano em tom azul ver-se o Vale do Rio Ipojuca onde se situa  o centro urbano da cidade de Caruaru-PE, situada a 15 Km de São Caitano-PE. Foto: Natalício de Melo Rodrigues, 2015.

O título de RPPN foi concedido pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH) em junho de 2002, devido à bela paisagem natural encontrada na fazenda, além da diversidade da fauna e da flora da região o que torna o primeiro Inselbergue na categoria de RPPN.         
Na geomorfologia um inselbergue são blocos rochosos resíduos de processos erosivos de Pediplanação, em climas áridos quentes. Algumas vezes observa-se na literatura citações de pães de açúcar como se fossem inselbergue, mas segundo Antonio Texeira Guerra (1980) afirma que o Prof.Wilhem Kegel ao estudar os serrotes, nas região dos Cariris Novos (Ceará-Piauí) diz que os mesmo formam, em certos casos inselbergues, concede-se nesses casos no qual se enquadra a denominado Pedra do Cachorro, como elevações pouco alongadas e relativamente ilhadas em meio aos pediplanos, cuja evolução se fez em função de um sistema erosivo com o clima semiárido. 
            Os inselbergues por se localizar em área semiáridas os processos dominantes erosivos são do tipo mecânico e químico que atuam sobre suas encostas, permitindo o desenvolvimento de processos erosivos que diminuem gradativamente as encostas rochosas, fazendo recuar as vertentes, à medida que a erosão avança, a extensão dos inselbergues diminui, originando no contato das encostas uma rampa de denominado knick point (MAIO, C.R.1987).   

Quadro comparativo de diferenças e semelhanças entre a Pedra do Cachorro e Pão de Açucar.


Referencia:
CARACTERIZAÇÃO E ANALISE GEOLÓGICA E GEOMORFOLÓGICA DE INSELBERGUE NO AGRESTE SEMIARIDO DE PERNAMBUCO: O CASO DA PEDRA DO CACHORRO SÃO CAETANO – PERNAMBUCO; AUTARQUIA EDUCACIONAL DO BELO JARDIM – AEB, FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E APLICADAS DO BELO JARDIM – PE, NUCLEO DE PESQUISA -NEPE, NATALICIO DE MELO RODRIGUES, Belo Jardim – PE, 2015.





terça-feira, 10 de maio de 2016

El Niño, La Niña



O El Niño é um fenômeno de interação do oceano com a atmosfera caracterizado por um aquecimento acima do normal das águas do oceano Pacífico Equatorial. Com o aquecimento das águas do oceano Pacifico, ocorrem grandes mudanças nos padrões normais de vento e de pressão da circulação geral da atmosfera, consequentemente  alteração no padrão climático de chuva e de temperatura em várias regiões do globo. 

No caso do Brasil, uma das principais interferências do clima em decorrência do fenômeno climático denominado El Niño é sobre o regime de chuva no Sul e no Nordeste. Na Região Sul e Sudeste, por exemplo, o El Niño aumenta aumenta as temperaturas  ocasionando chuvas torrenciais acima das médias históricas para região que quase sempre se materializada nas grande enchentes no ambientes urbanos. 


 Figura 1. Enchente na cidade de São Paulo devido ao transbordamento do Rio Tietê.

Figura 2: Barragem do Rio Ipojuca com capacidade de 17 milhões de metros cúbicos secou comprometendo a qualidade de vida do povo de  Belo Jardim-PE. 

No Nordeste, o El Niño diminui a já escassa chuva da Região, atingindo principalmente o semiárido onde as taxas pluviométricas além de serem baixas são dispersas no tempo e no espacialmente anárquicas, ampliando as  severas secas nas áreas mais continentais e no polígono das secas que passar a conviver de forma ampliada uma intensa crise hídrica nas bacias de drenagem exorreica. Lembrando que no caso do nordeste o El Nino nunca deve ser visto como o principal elemento geográfico causado da seca. 

A Circulação de Walker e o El Niño

Numa situação normal, sem El Niño, com as águas do oceano Pacífico com temperatura dentro da normalidade, existe uma circulação natural sobre o Pacífico entre a costa da América do Sul e a região onde está a Indonésia. As águas quentes ficam concentradas do lado da Indonésia. O ar quente e úmido que sai desta região se eleva gerando muitas nuvens de chuva. Em altitudes mais elevadas da atmosfera, o ar se esfria e desce seco sobre a região da costa do Peru. Em outras palavras, sem o El Niño, uma região de baixa pressão se forma na região da Indonésia e uma região de alta pressão atmosférica se forma na região do Peru. A baixa pressão produz muitas nuvens e chuva; a alta pressão reduz a nebulosidade e as condições para chuva. A circulação de ar formada no sentido leste-oeste sobre a região equatorial do globo é chamada de Circulação de Walker.

Em anos de El Niño, a Circulação de Walker é modificada. O aquecimento acima do normal das águas do Pacífico força uma quebra em dois fluxos de ar. Duas correntes de ar subsidente surgem: uma sobre a Indonésia e sobre o norte da Austrália e outra sobre o Nordeste do Brasil. Um sistema de alta pressão se estabelece na região onde o fluxo de ar desce. Este fluxo de ar de cima para baixo é chamado de subsidência ou ar subsidente.

FONTE: 
Josélia Pegorim CANAL CLIMA TEMPO
INPE
Youtube