Coordenador do PIBID/ Curso de Geografia -FABEJA, Mestre e Doutor (Phd) em Geografia - UFPE

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Doutor em Geografia (stricto sensu) - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2012); Mestre em Gestão e Politicas Ambientais (stricto sensu) - UFPE (2009); Especialista em Ensino Superior de Geografia (lato Sensu) - Universidade de Pernambuco - UPE (1998); Licenciatura Plena em Geografia - Centro de Ensino Superior de Arcoverde - CESA (1985);   Coordenador do PIBID - Geografia Professor; Orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCC, na Graduação e Pós-Graduação (Latu Sensu).

sábado, 19 de outubro de 2013

O MITO DA CAVERNA DE PLATÃO

O MITO DA CAVERNA DE PLATÃO 
– UMA ANALOGIA DE JOSÉ SARAMAGO E JEAN BAUDRILLARD


É possível relacionar a filosofia platônica, sobretudo o mito da caverna, com nossa realidade atual? É é possível sim fazer uma reflexão extremamente proveitosa e resgatar valores de extrema importância para a Filosofia. Além disso, esse exercício mental além de ajuda na formulação do senso crítico é também um ótimo exercício de interpretação de texto. A relevância e atualidade do mito não surpreende: muitas informações denunciam a alienação humana, criam realidades paralelas e alheias.

O mito ou “Alegoria” da caverna é uma das passagens mais clássicas da história da Filosofia, sendo parte constituinte do livro VI de “A República”onde Platão (428-427 a.C.) discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal. Hoje o mito pode ser aplicado para entender a sociedade em que vivemos, onde a mídia televisiva e escrita exerce um grande poder nas opiniões de uma determinada parte da sociedade.

O mito da Caverna Constituí uma das citações clássicas da História da filosofia, condição de vida de prisioneiros que se encontram acorrentados e condicionados a pouca mobilidade. A entrada da caverna permite que a luz de um fogueira situada de forma estratégica projete reflexos dos movimentos de pessoas e seus objetos sejam projetados nas paredes internas. Nesse condição os prisoneiros jamais viram as pessoas e objetos como de fato são, assim, imaginam que as sobras sejam de fato a realidade. Para Platão (427-347 a.C), a caverna é o mundo em que vivemos, e as sombras, o modo como enxergamos tudo.

Na vivencia da caverna e com o passar do tempo, os prisioneiros dão nomes a essas sombras (tal como nós damos às coisas) e também à regularidade de aparições destas. Os prisioneiros fazem, inclusive, fazem torneios para se gabarem, se vangloriarem a quem acertar as corretas denominações sobre saber identificar os objetos projetados. Imagine-se que em um determinado momento um destes prisioneiros é forçado a sair das amarras e vasculhar o exterior da caverna. Ele veria que o que permitia a visão era a fogueira e que na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Perceberia que passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a verdade, isto é, estando afastado da verdadeira realidade.

Mas imaginemos ainda que esse mesmo prisioneiro fosse arrastado para fora da caverna. Ao sair, a luz do sol ofuscaria sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se com a nova realidade, poderia voltar a enxergar as maravilhas dos seres fora da caverna. Não demoraria a perceber que aqueles seres tinham mais qualidades do que as sombras e as estátuas, sendo, portanto, mais reais. Significa dizer que ele poderia contemplar a verdadeira realidade, os seres como são em si mesmos. Não teria dificuldades em perceber que o Sol é a fonte da luz que o faz ver o real, bem como é desta fonte que provém toda existência (os ciclos de nascimento, do tempo, o calor que aquece etc.).

Maravilhado com esse novo mundo e com o conhecimento que então passara a ter da realidade, esse ex-prisioneiro lembrar-se-ia de seus antigos amigos no interior da caverna e da vida que lá levavam. Imediatamente, sentiria pena deles, da escuridão em que estavam envoltos e desceria à caverna para lhes contar o novo mundo que descobriu. No entanto, como os ainda prisioneiros não conseguem vislumbrar senão a realidade que presenciam, vão debochar do seu colega liberto, dizendo-lhe que está louco e que se não parasse com suas maluquices acabariam por matá-lo.

Fora da caverna e  deslumbrado com a verdadeira forma das coisas é um metáfora feita por  Platão com os filósofos, que ascendem por meio do conhecimento. Ele defendia a tese de que o mundo das ideias só poderia ser acessado pelos filósofos. Logo, era essa a classe mais indicada para governar a pólis. Esse pensamento originou a teoria política de Platão, na qual ele cria a cidade ideal. Nela, existiriam apenas três categorias de cidadãos, cada um desempenhando a tarefa para a qual estava melhor preparado. Aqueles que tinham a "alma com apetite" seriam trabalhadores; os corajosos, os guardiões da pólis; e os dotados de sabedoria e razão, os governantes-filósofos. A tarefa do rei filósofo seria justamente a de regressar à caverna e relatar o mundo das ideias para os demais - isto é, contar a verdade para a sociedade.





Figura 1: Observa-se na imagem acima a direita os prisoneiros presos e sentados no chão, esses vendo as imagens sendo projetadas na paredes como se fosse a realidade. A esquerda, ver-se um grupos de pessoas em pé por trás do muro manipulando objetos que serão usados como projeção de imagem real; ver-se ainda uma pira incandescente que ajuda a projetar a imagem. Fonte: Instituto Imagik.

Platão explica que a alma antes de ficar aprisionada ao corpo, habitava o mundo luminoso das ideias, guardando apenas vagas lembranças, desta existência anterior. Porém essas reminiscências fazem com que a alma esteja sempre voltada para um mundo ideal. Mas as sensações do corpo tendem a desviá-la desse caminho, que é o da sabedoria da vida. Por isso apenas parte racional (mental) do homem é nobre e boa. A parte das sensações físicas deve ser subordinada a ela e não ao contrário.

Platão se utilizar da alegoria da representação da caverna para dizer que o mundo que percebemos com nossos sentidos é um mundo ilusório e confuso mundo das sombras.(Hoje seria o mundo que a TV que passar as pessoas) Porém há um reino mais elevado, espiritual, eterno, onde está o que existe de verdade, ou seja, as ideias, que só a razão pode conhecer. Esse é o mundo que se encontra fora da caverna e que só os filósofos chegam a perceber e a mais elevada delas é a ideia do Bem, causa e finalidade do universo.


Figura 2:Observa-se na figura cuja representação lembra uma condição nova vivida pelos prisoneiros relatados no Mito da Caverna de Platão, trata-se uma analogia que leva a pensar sobre a real participação dos telespectadores da TV moderna, nessa condição Saramago no leva a pensar a nova forma de manobra ideológica para controlar o comportamento dos telespectadores passivos. Fonte:Google/imagens.

O Mito da Caverna de Platão continua sendo um convite permanente à reflexão e tem ganhado diversas versões em livros, como foi o caso do escritor portugueses e José Saramago (1922-2010), autor que escreveu o livro a Caverna preservando originalmente o titulo de Platão. Jean Baudrillard (1929-2007) é outro escritor francês que retrata bem as condições da caverna no livro Simulacros e Simulação (Simulacres et Simulation). Quanto aos filmes destacam-se o Show de Truman filme norte-americano de comédia dramática de 1998, e o a mega produção cinematográfica de Hollywood Matrix produção cinematográfica estadunidense e australiana de 1999. No Brasil o mito da Caverna inspirou a publicação de tiras de quadrinho de Mauricio de Souza.

O Livro de José Saramago



Ultimamente coube José de Sousa Saramago,escritor, jornalista, dramaturgo, romancista e poeta português, galardoado com o Nobel de Literatura de 1998, faz uma importante analogia entre o mito da caverna de Platão e o tempos atuais da globalização e o papel do poder que a mídia exerce sobre as pessoas. Nessa analogia da Caverna, essa visão alegórica recai sobre o sofrimento do homem que tem sua força de trabalho inutilizada em um universo capitalista, em que o mercado dita as regras de aceitação e inserção do humano no mundo dos objetos. 


Quanto ao livro a caverna é uma história de gente simples: um oleiro, um guarda, duas mulheres e um cão muito humano. Esses personagens circulam pelo Centro, um gigantesco monumento do consumo onde os moradores usam crachá, são vigiados por câmeras de vídeo e não podem abrir as janelas de casa. É no Centro que trabalha o guarda Marçal. Era para o Centro que seu sogro, o oleiro Cipriano, vendia a louça de barro que fabricava artesanalmente na aldeota em que vive - agora, os clientes do Centro preferem pratos e jarros de plástico. Sem outro ofício na vida, Cipriano perde a razão de viver. E a convite do genro, muda-se para o Centro, essa verdadeira gruta onde milhares de pessoas se divertem, comem e trabalham sem verem a luz do sol e da lua. Enquanto isso, embaixo dos diversos subsolos, os funcionários do Centro descobrem uma estranha caverna. Driblando a vigilância, Cipriano consegue entrar lá dentro. O que descobre é aterrador. Nesta versão moderna do mito da caverna de Platão, José Saramago faz uma apresentação sutil da face cruel do mundo capitalista e tecnológico.

Baixe e leia o livro a Caverna: 

Há também do mesmo autor um excelente vídeo publicado no Youtube comentando como o autor elucida a ideia de retratar uma versão moderna do mito da caverna de Platão, José Saramago faz uma apresentação sutil da face cruel do mundo capitalista e tecnológico e seu poder de dominação.



Ultimamente tendo em vista o aumento da ideologia do consumo de objetos e materializados nos grandes centros de compras ou shopping, tem surgido outras formas de interpretação do Mito da Caverna representado por outro meios de comunicação,como são os casos do cinema, das charges e de revistas em quadrinho. No cinema o tema veio através do estúdios de Hollywood no filme Matrix, nos quadrinho na forma de revista pelo autor e cartunista Mauricio de Souza.

Baudrilard

Jean Baudrillard (1929) começou sua carreira como professor de sociologia na Universidade de Nanterre, em Paris. Em 1977, ganhou projeção com a publicação do livro Esquecer Foucault e, mais tarde, ganhou fama e popularidade ao decretar “o fim dos tempos”, em suas teorias sobre o poder da mídia na sociedade pós-moderna.

Segundo a obra Simulacro e Simulações com base filosofica em Platão no livro a Caverna, a realidade deixou de existir, e passamos a viver a representação da realidade, difundida, na sociedade pós-moderna, pela mídia.



Para Baudrillard, autor do livro Simulacros e Simulação (em francês: Simulacres et Simulation) é um tratado filosófico que discute a relação entre realidade, símbolos e sociedade. Simulacros são cópias que representam elementos que nunca existiram ou que não possuem mais o seu equivalente na realidade. Simulação é a imitação de uma operação ou processo existente no mundo real. a cultura da atualidade é fruto de uma realidade construída – a hiper-realidade. Isto é, uma realidade construída a partir dos valores simbólicos impostos pelo sistema hegemônico. Dessa forma, cria-se uma realidade dentro da realidade, em que os valores sígnicos substituem paulatinamente os valores concretos das mercadorias (lembrando que na sociedade de consumo tudo é mercadoria, sobretudo, nós).

Radicalmente irônico, mas com fundamentos, Baudrillard defende a teoria de que vivemos em uma era cujos símbolos têm mais peso e mais força do que a própria realidade. Desse fenômeno surgem os “simulacros”, simulações malfeitas do real que, contraditoriamente, são mais atraentes ao espectador do que o próprio objeto reproduzido.

O livro direcionou e ainda direcionará estudiosos sobre a era em que vivemos, pós-internet. Baudrillard utilizou uma linguagem irônica que o tornou popular a ponto de inspirar filmes americanos, como os recentes Truman Show (1998) e a série Matrix (1999). O autor, inclusive, deu entrevistas a meios de comunicação brasileiros recentemente, após o lançamento de Matrix (o filósofo, inclusive, assumiu não ter gostado).


 A Caverna Hoje

Este modo de contar as coisas tem o seu significado: os prisioneiros somos nós que, segundo nossas tradições diferentes, hábitos diferentes, culturas diferentes, estamos acostumados com as noções sem que delas reflitamos para fazer juízos corretos, mas apenas acreditamos e usamos como nos foi transmitido. 

A caverna é o mundo ao nosso redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas, um exemplo claro dessa situação pode ser observado no comportamento da mídia no Brasil, hoje controlado pela TV Globo, SBT, Band, Record, e onde a grande maioria de brasileiros, a única fonte de informação é a televisão.Como se sabe a TV controla a vida de milhares de brasileiros, ditando a hora de dormir, tipo de alimentação, bebida, decoração, lazer, viagem, compras, interfere nos processos eleitorais divulgados dados de pesquisas tendenciosas, em conformidade com seus interesses, um exemplo claro é o comportamento sempre duvidoso da Rede Globo de Televisão. 


Fonte:Sladeplayer.com

Enfim as pessoas quando somente usa a TV como fonte de informação fica a merce desse domínio, e repetindo o comportamento dos homens da caverna, estão aprisionadas na vida real de um sistema virtual.


Charge de Lucas Monteiro

Um sistema de imagens que ocupa o lugar principal da casa – geralmente na sala principal e onde o sofás e cadeiras ficam voltados para ela, como se fosse um altar de adoração. Para muitas famílias é exatamente isso. Segundo o IBGE, o brasileiro vê em média 3,9 horas de TV ao dia. Sabe o que isso significa? Quando você estiver com 70 anos, terá sepultado no tubo de imagem da TV, 10 anos ininterruptos da sua vida. Período suficiente para tornar qualquer um em zumbi, vida aniquilada, vazia, sem afeto, criatividade desperdiçada, e alienado da realidade que o cerca.

Mas nem sempre é fácil sair da caverna, talvez por isso Saramago em sua obra a Caverna adverte sobre a ideologia ao afirmar que diferente dos objetos, as pessoas não devem ser facilmente manipuladas. Objetos são estáticos, ficam largados em cantos, mas o ser humano não: é de sua natureza pensar, questionar e agir. Em outro momento elucidando a fraqueza do homem ante a ideologia e o seu domínio “Exposto assim, desarmado, com a cabeça caída para trás, a boca meio aberta, perdido em si mesmo, apresentava a imagem pungente de um abandono sem salvação, como um saco que se tivesse rompido e deixado escoar pelo caminho o que levava dentro.” (SARAMAGO, 2000, p. 41).





Fonte:zonacurva.com.

Mas com o mesmo afirma esse domínio não é definitivo e de alguma forma o homem vai despertar para esse domínio e reagir ante a dominação ideológica, e ao mesmo tempo não e tão fácil, como afirma o autor: " (...) Não vai ser fácil, uma pessoa não é como uma coisa que se larga num sítio e ali se deixa ficar, uma pessoa mexe-se, pensa, pergunta, duvida, investiga, quer saber, e se é verdade que, forçada pelo hábito da conformação, acaba, mais tarde ou mais cedo, por parecer que se submeteu aos objetos, não se julgue que tal submissão é, em todos os casos, definitiva. (SARAMAGO, 2000, p. 305)".

Por isso quando uma minoria da população quando começa a descobrir a verdade e se comportar de maneira diferente do habitual, ocorrem dificuldade para entender e apanhar o real (ofuscamento da visão ao sair da caverna) e para isso, precisamos nos esforçar, estudar, aprender, querer saber. O mundo fora da caverna representa o mundo real, que para Platão é o mundo inteligível por possuir Formas ou Ideias que guardam consigo uma identidade indestrutível e imóvel, garantindo o conhecimento dos seres sensíveis. 

O Filme Matrix 

No filme Matrix produção cinematográfica estado-unidense e australiana de 1999, dos gêneros ação e ficção científica, dirigido pelos irmãos Wachowski e protagonizado por Keanu Reeves e Laurence Fishburne. Lançado em março de 1999, a um custo de 65 milhões de dólares e que rendeu mais de 456 milhões, observa-se um exemplo de uma analogia moderna do Mito da Caverna de Platão (428/427).

O filme retrata uma condição em que nem sempre o que se vê constitui de fato a realidade, esse é caso do personagem do filme Matrix Thomas A. Anderson um entre os milhões de seres humanos adormecidos. Naturalmente conectado à Matrix, ignorava que o mundo em que vivia é diferente do que parece. Nesse mundo simulado, ele vive uma vida dupla.

Nas suas atividades legais, Thomas A. Anderson é um tranquilo programador para a "respeitável companhia de software" Metacortex. Mas Anderson também é um hacker de computador, que penetra em sistemas de computador ilegalmente e rouba informações, sob o seu apelido hacker de "Neo". Durante a sua vida como um hacker, Anderson descobre algo conhecido apenas como a "Matrix". E é descrita por Morpheus como uma vaga intuição de que Neo teve durante toda a sua vida: "que há algo de errado com o mundo".

A analogia que se pode fazer entre Matrix e o Mito de Platão e que em ambas condições os personagens pensam que estão de fato vendo ou vivendo a realidade, quando na verdade tudo é uma ilusão.


The Matrix é uma franquia de ficção científica criada pelos Irmãs Wachowski e distribuída pela Warner Bros e uma versão moderna do Mito da Caverna escrito por Platão. 

Mauricio de Souza

Um outro exemplo vem do Cartunista Mauricio de Souza fez uma versão publicada em revista de quadrinho. No youtube encontra-se o vídeo elucida a versão do Mito baseado na charge de quadrinhos representando a dominação e manipulação da televisão. O texto completo na forma de quadrinho para ser usado em sala de aula pode ser obtido clicando aqui nesse link.


Show de Truman

O filme “O Show de Truman”, dirigido por Peter Weir e estrelado por Jim Carrey cria uma estrutura muito próxima da atual estrutura comportamental da sociedade contemporânea. A obra tem na sua origem primaria o pensamento filosóficos de Platão (Atenas, 428/427 – Atenas, 348/347 a.C). 

No filme, a vida do protagonista – Truman – é transmitida via satélite para todo o mundo, ou seja, um programa vinte e quatro horas, sete dias por semana. Entretanto, ele não tem ciência disso, acredita viver uma vida real. Essa realidade passa-se na pequena e pacata cidade de Seahaven, a qual é retratada como um lugar maravilhoso. A própria vida de Truman é apresentada de forma legal, apesar da exaustiva rotina.

Toda a “realidade” que Truman acredita vivenciar não passa de uma construção cinematográfica. A cidade, sua esposa, seu amigo, seu emprego, tudo não passa de uma representação. E é nesse ponto que o filme encontra-se com a vida na contemporaneidade. Vive-se no cotidiano sob o impacto constante da mídia, a qual nos proporciona uma “realidade” construída e nós como bons atores, participamos euforicamente do espetáculo da sociedade.

Hoje na condição igual ou parecida com a de  Truman, devemos questionar a realidade que nos é imposta, se os valores que nos são passados  condiz com o que somos levados a acreditar. É preciso ser mais que indivíduos robotizados e adestrados, pois o sistema sempre tentará seduzir-lhe com fábulas como se soubessem de tudo que sentimos e precisamos. Mas, não sabem, pois como diz Truman, eles não têm uma câmera em nossas cabeças. O que Christof queria para Truman, assim como o sistema hegemônico quer para nós é nos manter prisioneiros de uma realidade construída, impedindo-nos de encontrar a verdade.

Precisamos nos libertar das amarras impostas pela mídia, pois somos devemos ser donos de nos mesmos e valemos mais do que o sistema diz que valemos. Somos indivíduos na vida como ela é, sem cortes ou edição, sem ilusão ou maquiagem, ainda que para tanto, seja necessário o espírito explorador de Truman, ao invés de sermos meros personagens de um jogo fantasioso.

Referências:

1.The Myth of the Cave from The Republic by Plato BOOK VII. Disponível http://deakinphilosophicalsociety.com/texts/plato/caveallegory.
http://www.cmrj.ensino.eb.br/ensino/notas_aula/2bim2013/28HIS10.pdf.acesso20/10/201.2. BRANDÃO, V.C. As cavernas em A caverna: dialética, alegoria e multiplicidade de sentido em José Saramago Revista eletrônica de crítica e teoria de literaturas Dossiê: Saramago PPG-LET-UFRGS – Porto Alegre – Vol. 02 N. 02 – jul/dez 2006.
3.SARAMAGO, J.S. A Caverna. Companhia da Letras, São Paulo, 2010.
4.Youtube.Canal Regina Côrtes. categoria Educação publicado em 04/05/2012.
5 obvious: http://obviousmag.org/genialmente_louco/2015/o-show-de-truman-o-homem-em-sua-propria-cela.html#ixzz4if7zBkpY Follow us: @obvious on Twitter | obviousmagazine on Facebook
6.RUSSELL, BRETAND.História da Filosofia. Editora Nova Fronteira, Rio de janeiro, 2015.