Coordenador do NEPE, PIBID de Geografia -FBJ, CoordenadorMestre e Doutor (Phd) em Geografia - UFPE

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Doutor em Geografia (stricto sensu) - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2012); Mestre em Gestão e Politicas Ambientais (stricto sensu) - UFPE (2009); Especialista em Ensino Superior de Geografia (lato Sensu) - Universidade de Pernambuco - UPE (1998); Licenciatura Plena em Geografia - Centro de Ensino Superior de Arcoverde - CESA (1985);   Coordenador do PIBID - Geografia Professor; Orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCC, na Graduação e Pós-Graduação (Latu Sensu).

segunda-feira, 17 de julho de 2017

DEVONIANO NO BRASIL



O MAR DEVONIANO NO BRASIL

Autor: Prof. Dr. Natalício de Melo Rodrigues, 2017.
Texto em construção e sujeito a revisão.

O Devoniano.

Na escala de tempo geológico absoluto teórico, o Devoniano, é o período da era Paleozoica do éon Fanerozoico que está compreendido em média teórica em valores que oscilam entre 400 milhões e 360 milhões de anos atrás aproximadamente. O período Devoniano sucede o período Siluriano e precede o período Carbonífero, ambos de sua era, por ser extenso divide-se nas épocas Devoniana Inferior, Devoniana Média e Devoniana Superior, da mais antiga para a mais recente. Se crer que é desse período a formação de muitos dos depósitos de petróleo e gás natural que são explorados na atualidade.

Acredita-se também que durante o Devoniano, ocorreu uma grande proliferação da fauna marinha na forma de peixes, que dominam de vez os ambientes aquáticos, motivo pelo qual o Devoniano é conhecido como "A Era dos Peixes"; além dessa proliferação, surgem os primeiros peixes com mandíbula, os primeiros tubarões primitivos e os placodermos assumem o trono no topo da cadeia alimentar, porém se extinguem no final do período, afirma-se ainda que neste período que surgem os primeiros anfíbios.

O Mar Devoniano no Brasil.


No Brasil estudos são parcos e o pouco que se pesquisou para construção desse tema são quase que citações indiretas quando o tema é Período Devoniano, Mar Devoniano ou ainda Devoniano no Brasil. Por essa razão busquei expor algumas citações de que tenho conhecimento,do meu artigo da dissertação do mestrado e do doutorado na UFPE em geografia. Não é um conhecimento abrangente, e tem seu foco maior na área que envolve a Bacia do Recôncavo Jatobá, especificamente área que compõe o Parque Nacional do Catimbau que vivenciei e estudei por dez anos. Algumas das citações são de Gilberto Osório de Andrade e Manoel Correia de Andrade, esse último meu professor do qual pude tirar algumas dúvidas.

Nessa pesquisa apontou-se que DEVONIANO foi marcado por uma grande transgressão marinha, essa veio ocorrer possivelmente pelo flanco norte ou setentrional, condição ambiental em que esse antigo Mar Devoniano  era  uma continuação do antigo oceano que predominou na época, denominado de Oceano Pantalassa. Esse mar em outro momento geológico posterior recuou em razões associadas a fenômenos geológicos: a) um primeiro, antigo e datado do Devoniano, possivelmente relacionado a compressão convergente pré-andina que impulsionou os terrenos primitivo central do Brasil em direção ao Leste, esse enlevando-se deu início a um recuo, tal  fato geológico possivelmente se concretizou  no início do período Carbonífero; b) um outro, mais recente em termo geológico datado do inicio do Cretáceo, quando uma divergência de placas, a saber: as placas da América e da África se iniciou por movimento de convecção no manto uma divergência de placas, e consequente a fragmentação da Godwana, em tempo deu início a criação de um mar raso (pré-atlântico), por sua vez  a Oeste a placa Sul-Americana convergiu com a Placa de Nazca, em decorrência dessa convergência originou uma significativa orogenia a contraforte Oeste, que iniciou a elevação em forma de dobramentos moderno, como consequência uma orogenia soergue lentamente e de forma continuada o pré-planalto central brasileiro primitivo, essa elevação de terrenos andina findou no soerguimento das antigas bacias paleozoicas que hoje forma conjuntos de  planaltos sedimentares brasileiros.

Considerando a simulação do movimento das placas tectônicas do aplicativo EarthViewer 2.0 produzido por Mark E.Nielsen, PhD, percebe-se que no principio do Devoniano essa vasta invasão marinha estendeu-se por uma grande área do território que seria o Brasil tempos mais tarde. Essa transgressão marinha teria abrangido na época três grandes bacias sedimentares (Parnaíba, Amazônia e Paraná) confirmando assim o postulado por Mendes & Setembrino (1971), fato que iniciou um novo capítulo na história geológica brasileira. Na Amazônia por sua vez, o mar, provindo do geossinclinal Andino, já havia transgredido a bacia no Siluriano. Embora o mar tenha tido grande participação na evolução da parte brasileira do continente sul-americano, onde predominam as rochas de origem sedimentar continental, o que evidencia que o território brasileiro, em sua grande parte permaneceu emerso (Houghton Mifflincitado in Evolução de Um Continente -MC.GRAW-HILL do BRASIL,1975). E importante salientar que Durante a Era Paleozoica, não há registro da presença do Oceano que hoje é denomina-se Atlântico na faixa costeira do Brasil.

Os planaltos sedimentares soerguido no centro do Brasil indica que um mar esteve presente nas bacias brasileiras, definidamente no Devoniano até o final do Permiano (Houghton Mifflincitado in Evolução de Um Continente -MC.GRAW-HILL do BRASIL,1975), mas essa afirmação tem sido contestada, há autores que discorda, crendo que no carbonífero esse mar já não existia, como o caso de Mark E.Nielsen, PhD. Se crer ainda que quando esse oceano  na forma de mar que havia penetrado no setor setentrional, boreal  ou norte, e que veio encobrir a parte do que mais tarde iria constituir o semiárido nordestino, especificamente em sua maior extensão atinge grande parte do que é hoje  a Depressão Sertaneja.


Figura 2: Representação do mar Devoniano no Brasil: Os limites do que seria mais tarde o território do Brasil atual aparece na figura acima representado pela linha pontilhada na cor vermelha. Observa-se que a maior parte da terras que veio a constituir o território brasileiro aparece quase que inserido no Círculo Ártico (círculo em cor amarela), por sua vez, a representação do que seria o mar Devoniano em sua extensão maior aparece representado pela cor azul, nota-se que a ideia da tendencia que abrangeu em sua maior parte o semiárido com ênfase do que seria hoje a localização da depressão sertaneja e elucidado. As cores em tom verde representa as massas do antigo continente Gondwana. Fonte: EarthViewer app sistema ios Ipad. por Mark E.Nielsen, PhD, 2017.

Considerando a disposição nesse simulador, ver-se que esse período é marcado por intensas mudanças na localização geográfica, implicando mudanças nas condições geológicas, no clima pretérito, principalmente no fator climático latitude e consequente nas condições ambientais. Desse modo esse conjunto de massa de terras que constituía o antigo continente denominado Gondwana, e que mais tarde após fragmentação viria a constituir a América principalmente o Brasil e a África eram bastantes diferentes das atuais.

 Indícios Geológicos  Devoniano no Brasil

Segundo Antonio Teixeira Guerra (1980) afirma que  o clima é o mesmo do Ordoviciano e Siluriano - era uniforme de norte a sul. Há também indícios de clima áridos embora não haja registro de depósito de sal e gesso.  Os mapas geológicos do Brasil mostra que as áreas mais extensas de terrenos devonianos aparecem na Bacia do Amazonas, na Região  do Meio-Norte, no Estado de Mato Grosso, na Bahia e na Bacia do Paraná. Os afloramentos devonianos na  Bacia do Amazonas são maiores na margem esquerda do rio, sendo representados pelas camadas de Maecuru, Curuá e Erêre no estado do Pará (GUERRA,A.T.1980). Considerando os antecedentes geológicos relacionados a movimentos tectônicos de ordem epirogenético se crer que a disposição das terras também eram mais baixa que as atuais. 
Figura 3: mapa representando o antigo continente Gondwana no início Mesozoico. Fonte: Wikipédia.2017.

Argumento a luz da teoria tectônica de placas aplicada ao  Brasil ver-se que fazia parte do antigo continente Gondwana consistindo assim uma grande porção de terras que abrangia os atuais continentes África e América do Sul, e que ambos no Devoniano eram quase que totalmente abaixo do círculo polar árticos. Entretanto, embora a distribuição de suas terras embora já tivesse a forma semelhante a de um trapézio, muito parecido com as condições atuais que conhecemos hoje, porém havia um diferença na disposição, a parte estreita não era e voltada para o sul, mas sim para o sentido Leste-Oeste, e nessa época geológica  as cordilheiras do Andes ainda sequer  existiam. Portanto, eram condições paleoclimáticas bem diferentes das condições tropicais atuais. 

Possível condição ambiental das águas do mar devoniano.

Considerando a posição latitudinal da Godwana por Mark E.Nielsen, PhD observa-se que o Brasil situava-se bem abaixo do círculo polar ártico, nessas condições e considerando as leis da climatologia aplicada a ambientes de criosfera, tudo leva a entender que as águas durante o Devoniano  em sua maior parte  eram frias e possivelmente doce. Essa citada característica hídrica fria se deve porque nessa localização de baixa latitude sul, as temperaturas tendem a se comportar  em conformidade a latitude, assim quanto maior a latitude menor as temperaturas. Quanto a crer que a característica  de ser  as águas doce, decorre da condição das características que em geral são presentes  nas águas na atual criosfera. Conforme a climatologia se sabe que a água ao passar para o estado sólido não retém sais, assim por sua condições de latitude elevada essas águas tenderiam  a apresentar uma salinidade menor. 

O nordeste brasileiro no Devoniano.

O Nordeste constitui um importante testemunho de bacias sedimentares associado a fundo de mar, dotados de importantes formas de relevo como são os casos dos Planaltos sedimentares, bacias sedimentares e  morros testemunhos, evidencia fortemente a ideia de que essa região foi de fato sujeita a inundação marinha ainda no Devoniano. O melhor indício do Devoniano e de fato as formas de relevo citadas são encontradas na região o semiárido especificamente  na Depressão Sertaneja,em Pernambuco tem um dos melhores testemunho são as forma de relevo em arenito presente no Parque Nacional do Catimbau (Rodrigues, 2006, 2010; e a Formação Inajá (Barreto,1968)

Figura 4: Serra da s Torres inserida na Bacia do Jatoba- Buique-PE, na Geomorfologia a denominação dada a essa forma a conjunto de morro testemunho em arenito devoniano. Fonte: Natalício de melo.2014.

O Parque Nacional do Catimbau situa-se na cidade de Buique-PE, também conhecido como Vale do Catimbau, é um parque nacional brasileiro situado no estado de Pernambuco. Foi criado em 22 de agosto de 2002, abrange os limites territoriais dos municípios de Buíque, Ibimirim, Sertânia e Tupanatinga, entre o Agreste e o Sertão pernambucano e visa preservar amostras do bioma Caatinga. 

Suas formações geológicas são compostas de arenitos e apresenta-se um vasto e variado relevo diversificado na forma de chapadas sedimentares soerguidas, encostas abruptas, relevos de questas, morros testemunho e grandes vales abertos. É uma região de intensa erosão, o arenito possui diversas cores e tipos e alguns datam milhões de anos.  

Considerada Área de Extrema Importância Biológica, por apresentar cerca de duas mil cavernas e 28 cavernas-cemitério, registros de pinturas rupestres e artefatos da ocupação pré-histórica datados de pelo menos 6 000 anos. Os pesquisadores acharam 27 sítios arqueológicos no Vale do Catimbau. Dentro do parque há diversos pontos de visitação, inclusive a Pedra Furada, acredita-se que há milhares de anos o local onde fica a Pedra Furada era coberto pelo oceano e que a pedra se furou a partir da erosão causada pelo vento e pela água. O vale do Catimbau possui hoje elevações com altitude de 900 metros.




Figura 5: Frente de Custa em rochas sedimentar de arenito do período Devoniano denominado Morro da Tinideira borda frente a BR 232 em Arcoverde-PE na depressão Sertaneja. Fonte: Natalicio de Melo,2017.

Figura 6: Furna do Gato. Observa-se a formação de arenito datada de 400 m.a.
Fonte: Natalicio de Melo.  

Segundo Manoel Correia de Andrade as  chapadas sedimentares, fragmentadas e espalhadas pelo sertão de Pernambuco a oeste da Borborema e principalmente ao longo das cidades de Arcoverde, Sertânia, Ibimirim são testemunhos de um capeamento uniforme que teria existido na região quando esse fundo de mar foi elevado. "Tudo leva a crer que durante os períodos da era Secundaria especificamente o  um grande mar de interior deva ter coberto quase toda a porção norte do sertão do nordeste, no fundo do qual teriam se acumulado espessas camadas superpostas, os mais variados tipos de detritos sedimentares (ANDRADE,M.C.,1969)".

No final do Devoniano forças de tectônicas na forma de arqueamentos manifestaram-se no grande domo no central do Brasil e o soerguendo de forma lenta e continua. Se crer que esse domo se desenvolveu relacionado a forças divergentes decorrente do afastamento da África e da América do Sul que vieram a forma o Oceano Atlântico. 

Esse fenômeno geológico divergente das placas Sul-americana e África causou uma intumescia no Brasil manifestando-se na forma de um domo arqueado pode ter sido o responsável pelo desenvolvimento de uma rede radial exorreica ao oceano Atlântico que tanto contribui para condições intermitente reinante na drenagem hídrica no agreste pernambucano.

O Domo da Borborema e sua relação geológica com o período Devoniano.

Do ponto de vista geotectônico, o que individualiza o Nordeste é o fato de ser produzido nele uma das deformações pós-cretácicas do embasamento pré-cambriano que compartimentaram topograficamente o velho e rígido Escudo brasileiro num mosaico de planaltos a que se dá o nome abrangente de Planalto Brasileiro. No nordeste oriental propriamente dito essa deformação consistiu num bombeamento de grande raio e pouca altura,do tipo "abóbada de escudo", à custa do qual foram re-salientados maciços antigos que tinham sido extensivamente degradados durante o cretáceo, engendrando-se a partir dai grandes direções radiais duma drenagem grosseiramente centrifuga, representando pelos rios que correm para a costa setentrional (CE e RN), para o oriental e para o São Francisco ao sul (afluentes pernambucanos), tudo isso configurando o aspecto dômico do núcleo nordestino do Escudo, que desse modo se comporta como um centro de dispersão d'águas(ANDRADE,G.S.,1977). 
Observa-se na figura 7 acima as condições de drenagem gerais da rede hídrica das rios do Nordeste, ver-se que a província geológica denominada Planalto da Borborema funciona como um domo dispersor de águas do tipo Drenagem Radial. No verão e período de seca o centro do domo os rios por serem perene não escoa com a mesma intensidade que no verão. No inverno ao contrário relacionado ao período de intensos aguaceiros os rios intermitentes por natureza tornam-se perene realçando a superfície dômica dominante do Planalto da Borborema, funcionado assim como um grande centro dispersor de águas. Fonte da Imagem; Mapa o Caminho das Águas projeto de transposição do Rio São Francisco. Autor desconhecido.2010.

Assim, considerando Andrade(1977), esse domo que hoje permeia a geomorfologia do nordeste manifesta-se na condição de Domo arqueado denominado Borborema o que possivelmente fez recuar essas águas devonianas de modo que no início do período Carbonífero esse mar já não existe. Mas tarde já período Terciário cerca de 60 m.a. início Paleógeno a convergência das placas sul-americana e de Nazca ampliaram seu grau de convergência e manifestaram seu efeito na borda continental da América do Sul soerguendo-o, dessa forma condição geológica de orogenia fez soerguer as cordilheiras do Andes, consequentemente a Plataforma Brasileira foi reativada sob a fenômeno geológico denominado epirogênese condição em que a plataforma já inclinada foi ampliada e direcionada para o Oceano Atlântico em drenagem exorreica. 

Nessas condições geológicas de epirogênica os processos geomorfológicos até então reinantes foram invertidos, as antigas área de sedimentação passaram as ser erosivas, a partir desse momento se iniciou através de diversos ciclos erosivos a destruição da antigas coberturas sedimentares e a consequente exumação das superfícies aplainadas do embasamento cristalino do agreste e sertão do nordeste. No norte na região do  Amazonas restou apenas uma estreita faixa de água na forma de um rio denominado sanozama (significa amazonas em sentido inverso) que desloca-se do leste para oeste quando ainda sequer existia a cordilheira andina.

Formação Inajá

Segundo Barreto (1968) a formação Inajá é uma Unidade Estratigrafica pertence a Bacia do Jatobá e tem sua idade geológica inserida na Era Paleozoica e Período Devoniano. Essa camada  teve como ambiente  deposicional mares de plataforma rasa associado a condições hídricas fluviais. A exemplo da Formação Tacaratu Siluriana afloramento de forma continua, cuja área se estende desde a região SW do povoado de Moderna atual Central do Brasil,extremo N da bacia, até na porção sul da cidade de Inajá. Seus afloramentos mais  característicos estão situados na região do sitio Trocado a ESE do Frutuoso, nas proximidade do povoado de Moxotó e a Sul da Serra do Manari.  

Ainda segundo o autor as características litológicas aliadas  às estruturas sedimentares observadas em loco, além do seu conteúdo fossilífero, permitiu indicar um ambiente deposicional marinho  de plataforma rasa dominante, apresentando, de forma subordinada, um evento regressivo caracterizado pela implantação de um sistema fluvial entrelaçado com paleocorrentes (...).


Figura 8: Afloramento da Formação Inajá na Bacia do Jatobá, situada no Sítio Trocado, Povoado de Campos- Ibimirm-PE. Essas sedimentação apresenta arenitos médios e grosseiros com porções bastantes oxidadas, e ferruginosas, e em cores que variam do róseos e avermelhados. Fonte: Canal M19 .Rodrigues,N.M.2006.

Parque do Catimbau: testemunho do mar Devoniano *

Essa imensa formação de arenito presente na paisagem do parque do Catimbau tem uma origem bastante singular. Segundo Petri & Fulfaro (1983, p.4-8), toda a área do sertão pernambucano constituiu, num passado geológico, fundo de mar, de modo que se estabeleceu no Siluro-Devoniano a maior transgressão marinha do continente americano. Teorias apontam que esse mar teria inundado a América do Sul pelo ocidente, através da borda continental, onde atualmente se encontra a cordilheira dos Andes. Assim, durante esse período a plataforma sul-americana encontrava-se imersa (PETRI & FULFARO, 1983, p.317), a não ser por uma estreita faixa de terras emersas situada na extensão das atuais Guianas até a Bolívia setentrional.

Mendes & Setembrino (1971), por sua vez, afirmam que durante o Devoniano, esse mar teria inundando as bacias brasileiras até o Permiano. Quando atingiu sua maior extensão esse mar recobriu e, teria unido por determinado tempo três bacias sedimentares brasileiras: a Amazônica, do Paraná e Parnaíba (SALGADO-LABOURIAU, 2001, p.178). 

Daemon (1976) apud PETRY & FULFARO (1983), trabalhando num contexto global, corroboram a ligação entre as três grandes bacias brasileiras durante boa parte do Devoniano brasileiro, principalmente no Devoniano Médio. Essas bacias se comunicavam entre si por corredores. “Um corredor de rumo nordeste passaria pela futura fossa tectônica de Barreirinhas”. Outro “corredor” dirigido para leste ligaria a bacia à região do Jatobá, Estado de Pernambuco “(PETRI & FULFARO, 1983) e, finalmente, um outro “corredor” que estabelecia ligação com a Bacia do Paraná. Nesse período, o Brasil e a África ainda se encontravam unidos em uma grande massa continental, Gondwana.


Figura 8; Observa-se um mapa do estado de Pernambuco, as cores em vermelho representam onde predominam os Terrenos Ígneos Metamórficos do Pré-Cambriano, as cores verde, amarelo, laranja e roxo as bacias sedimentares. O terrenos sedimentares devonianos estão representados pela com marron são presentes na Bacia do Tucano-Jatobá, no mapa essa bacia esta situado nos limites dos estados de Alagoas e Bahia e o Rio São Francisco.Fonte; ATLAS DE PERNAMBUCO,2003.

Com a separação da América do Sul ocorreu o soerguimento andino. Este fenômeno epirogenético soergueu parcialmente as plataformas e bacias sedimentares. Acarretou, ainda, um recuo total do mar interior Devoniano. Esse fenômeno geológico é o que explica o porquê dos planaltos ocuparem cerca de dois terços do território nacional, daí a expressão “o Brasil é uma terra de planaltos” (OLIVA & GIANSANTI, 1999, p.218; ROSS, 2001, p.50-64). 

Outro importante e principal evento a ser destacado nesse processo refere-se ao modo como se deu a erosão (ROSS, 2001, p. 51-65). Esses processos erosivos lentos e contínuos se estabeleceram justamente nas áreas em que havia o contato entre os planaltos de terrenos cristalinos (plataformas, também denominados de cinturões orogênicos) e, os planaltos sedimentares. Essa erosão contínua acabou resultando em um rebaixamento expressivo nas bordas dos escudos cristalinos, devido à erosão intensa nas bacias (ROSS, 2001, p.51-65). 

Jatobá & Lins (2001, p.71) afirmam que os processos erosivos presentes nas bordas de bacias determinaram a formação de cuestas no Brasil’. À proporção em que esses antigos fundos de mares iam sendo promovidos a elevadas terras emersas, deixaram de representar áreas de sedimentação para oferecer superfícies fortemente trabalhadas por agentes erosivos de climas úmidos e, posteriormente, secos. A “erosão conseguiu, ao longo de milhões de anos, entalhar, desmontar e carrear quase que totalmente o espesso capeamento sedimentar” de origem marinha do período devoniano, fazendo ‘desenterrar o piso do embasamento cristalino’ (ANDRADE, 1977, p.69).

Dessa forma, a origem do Catimbau estaria associada a importantes e seqüenciados processos geológicos e geomorfológicos presentes na história geológica do Fanerozoico no Brasil. A possível seqüência desses eventos obedeceria primeiramente, à seguinte ordem: “a) início da formação das bacias intracratônicas no Siluriano ou aurora do Devoniano formando uma peneplanície pré-devoniana; b) ocorrência de uma grande transgressão marinha no Devoniano, denominada fase talassocrática; c) um desaparecimento dos mares no Neopaleozóico; d) desenvolvimento de fossas tectônicas costeiras no Neojurássico (Reativação Waldeniana) – fase geocrática; desaparecimento da individualidade das bacias intracratônicas no cretáceo (PETRI & FULFARO, 1983, p.08)”. Assim, após a reativação da plataforma os sedimentos soerguidos foram erodidos por circundenudação, resultando em um relevo cuestiforme.

Percebe-se, ao exame dessas citações, a exemplo de: Mendes (1971); Andrade (1977); Petri & Fulfaro (1983); Salgado & Laboriau (2001); Popp (2002); Ross (2001), entre outros, uma tendência em considerar de fato a existência de uma transgressão marinha no interior do Brasil durante o Devoniano. Por isso, quando se analisam os parques nacionais do nordeste, a exemplo do Parque Nacional da Diamantina (MG); da Serra da Capivara (PI); da Serra das Confusões (PI); Sete Cidades (PI); Ubajara (PI) e do Catimbau (PE), todos guardam uma semelhanças geológicas, pois são formados por arenitos continentais. 

Assim, ao exame das citações, parece não haver duvida que a caatinga do nordeste brasileiro, no pretérito, esteve mesmo submersa em águas doce. No Parque Nacional do Catimbau a grande evidência desse fenômeno geológico é a presença do arenito. Aliás, tem sido esse aspecto que muitas vezes tem prevalecido como elemento fundamental para a criação de alguns parques nacionais nordestinos.


Imagens do Parque do Catimbau

Erosão eólica. Fonte: Natalicio de Melo.
Serra das Torres. Fonte:Natalicio de Melo

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REFERENCIAS
  • Atlas  Escolar de Pernambuco /Coordenação Manuel Correia de Oliveira Andrde, 2003.
  • Andrade,Gilberto Osório, Alguns aspectos do quadro natural do nordeste. SUDENE, Recife,1977
  • Antonio Texeira Guerra, Dicionário Geológico-Geomorfologico, IBGE, Rio de Janeiro, 1980.
  • Barreto,P.M.C. O Paleozoico da Bacia do Jatobá. Boletim da Sociedade Brasileira de Geologia, 1968, v.17.n1.pag.29-45.
  • Earth Viewer 2.0 Credits. Mark E.Nielsen,PhD.
  • Geologic Time Scale 2009.
  • Geografia de Pernambuco. Andrade, M.C.; Sette H. 1969
  • MC.GRAW-HILL do BRASIL,Investigando a Terra erth science curriculum project -e.s.c.p.1973-1975. São paulo.SP.
  • MENDES, J.C. & SETEMBRINO, P. Geologia do Brasil. Rio de Janeiro: INL – MEC, 1971. 
  • Natalício de Melo Rodrigues, Tese de Mestrado: POTENCIALIDADES E IMPACTOS AMBIENTAIS NO PARQUE NACIONAL DO CATIMBAU E SUA ZONA DE AMORTECIMENTO, UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO,CENTRO DE FILOSOFIA E CIENCIAS HUMANAS,CURSO DE MESTRADO EM GESTÃO  e E POLÍTICAS AMBIENTAIS, Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Gestão e Políticas Ambientais da Universidade Federal de Pernambuco como parte dos requisitos para obtenção do grau de mestre Orientador Eugênia Cristina Gonçalves Pereira, Dr. Busque na rede: Rodrigues, Natalício de Melo. - UFPE ou nesse blog . 2010.
  • Natalicio de Melo Rodrigues, POTENCIALIDADES E IMPACTOS AMBIENTAIS NO PARQUE NACIONAL DO CATIMBAU E SUA ZONA DE AMORTECIMENTO -Universidade Federal de Pernambuco, CFCH,-CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS, CURSO DE MESTRADO EM GESTÃO E POLÍTICAS AMBIENTAIS. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Gestão e Políticas Ambientais da Universidade Federal de Pernambuco como parte dos requisitos para obtenção do grau de mestre. Mestrando. Orienadora Dra. Eugênia Cristina Gonçalves Pereira. 

sábado, 1 de julho de 2017

CONSIDERAÇÕES SOBRE SISMICIDADE EM CARUARU - PE

SISMOS EM CARUARU
Prof. Dr. Natalicio de Melo Rodrigues.


Reportagem do ultimo sismo em Caruaru- PE.
Video disponivel no Youtube. Fonte: Pernambucopontocom.23/03/2016.

BASE TEÓRICA

Os terremotos e sismos que ocorrem em Caruaru por ser um fenômeno natural do campo da Geologia são explicados por teorias relacionadas a dinâmica do Planeta Terra, como são os casos da  Deriva Continental e a Tectônica de Placas, teorias que se complementam ao longo de um grande processo de evolução e desenvolvimento da Geologia.  A Deriva Continental, por exemplo, foi desenvolvida por Alfred Wegener (1880-1930), que contou com contribuição de Eduardo Suess (1831-1914) autor da obra The Face of Earth e com acréscimos dos conceitos: Gondwanaland, Mar de Tétis, e a Flora Glasopteris. Uma outra contribuição veio de   Alexander Du Toit (1878-1948)  com desenvolvimento da obra: Our Wandering (Nossos continentes errantes) na qual se utilizou dos conceitos Luarásia  e Godwuana, nome dados aos blocos de massas continentais em movimento, os depósitos glaciais e carvão mineral.

Observa-se nas figura acima retratado em selos postais três grandes pesquisadores da Teoria da Deriva Continental a primeiramente Alfred Wegener (1880-1930), Eduard Suess (1831-1914), Dr.Alex du Tiot(1878-1948).



Quanto a Teoria da Tectônica de Placas a teoria propriamente dita foi desenvolvida no final dos anos 60, por Robert Palmer e Donald Mackenzie. Essas teoria em conjunto permitem explicar como ocorre, onde ocorre,etc., e são mensurados por aparelhos denominado sismógrafos em um escala desenvolvida por Charles Francis Richter (Hamilton, 1900 —1985) sismólogo estadunidense
A Sismologia é o ramo da Geofísica que estuda os terremotos (ou sismos): suas causas, efeitos, a propagação das ondas de vibrações emitidas pelo terremoto, etc. A Sismologia também utiliza as ondas emitidas pelos terremotos para estudar a estrutura da Terra. Um sismo é um fenômeno de vibração brusca e passageira da superfície da Terra, resultante de movimentos subterrâneos de Placas rochosas, de atividade vulcânica, ou por deslocamentos (migração) de gases no interior da Terra, principalmente metano. O movimento é causado pela liberação rápida de grandes quantidades de energia sob a forma de ondas sísmicas.

Um sismo se diferencia de terremoto, se um sismo abala zonas não habitadas não é nunca usado o termo "terremoto" ou "terramoto", mesmo que seja de grande intensidade, enquanto que se abalar zonas habitadas, for sentido e tiver efeitos catastróficos é costume usar o termo terremoto.

Sismo,também chamado de abalo sísmico, tremor de terra, ou terremoto, é o resultado de uma súbita liberação de energia na crosta do planeta Terra, geralmente por conta do choque entre placas tectônicas, esses criam ondas sísmicas que são medidas. A sismicidade ou atividade sísmica de uma área refere-se à frequência, tipo e tamanho dos terremotos registrados ao longo de um período de tempo na região. Segundo geólogo Gorki Mariano ao elucidar explicação sobre os tremores que ocorrem em Caruaru, disse que os mesmos são resultados de acomodações nas rochas que compõem um sistema de falhas denominado Zona de Cisalhamento Pernambuco-Leste.

Com base teorias presente na ciência geológica, a saber a Tectônica de Placas e Deriva Continental, pode-se afirmar que as causa dos tremores de terra registrados na cidade de Caruaru, resultam de movimentos geológicos elucidado nesses paradigmas. Os movimentos registrados em Caruaru são do tipo internos próprio da dinâmica terrestre.

No caso do Brasil, região nordeste, especificamente o caso de Caruaru em pernambuco relacionam-se diretamente com falhas geológicas em decorrência do momentos de placas tectônicas localizadas na borda Oeste do continente Sul-americano, margem com o Oceano Pacifico, e na também Leste na zona central do Oceano Atlântico, entre as bordas das Placas da África e Placa Sul-americana.


Observa-se uma figura que mostra a posição geográfica regional do Brasil ocupando o centro da placa sul americana, placa essa que faz limite com a Placa Africana Leste e a Placa de Nazca ao Oeste, de modo que por sua posição situa-se entre a dinâmica geológica de duas placas tectônicas. Imagem: geologyforinvestors.

A Leste por exemplo, se crer que tenha relação com divergência de placas, que são as placas denominada de Placa Sul-Americana e a Placa oceânica denominada da Africa. A Oeste a movimentação geológica ocorre em uma condição geológica em que as placas se convergem. Em uma convergência de placas como são os casos da Placas Sul-América e Placa de Nazca, afeta todo a massa continental, de forma que o continente Sul-Americano manifesta em duas consequências geológicas diferentes, como são os casos da orogenia e da epirogenia, sendo que a epirogenia é consequência imediata da orogenia.

No caso do orogenia ou orogênese, ocorre quando duas placas convergem, uma de material mais denso avança por baixo de uma outra formando uma zona de subdução em sua parte inferior, e na parte superior ocorre um soerguimento da borda, que em conformidade com a Teoria da Tectônica de Placas propicia a formação de montanhas como é o caso da formação em andamento da Cordilheira dos Andes.

O vídeo a seguir elucida a formação do Oceano Atlêntico como resultado da separação entre as Placas Sul-americana da África fenômeno denominado divergência de placas. Elucida ainda os processo classificados como orogenia e epirogenia.


Teoria de Placas Tectónicas Fonte: Youtube:Rafique Anusse.

Admite-se que a superfície terrestre seja formada por uma serie de placas bastante rígida, mas relativamente delgadas, de cerca de 150 km de espessura, embora de dimensão variáveis, a maior parte da superfície terrestre é ocupada por sete (7) placas que são: Placa Africana, Placa Norte Americana, Placa euro-asiática, Placa Sul-americana, Antárctica, Pacífica e Indo Australiana.

CASO DE CARUARU

Quanto epirogenia é o que ocorre atualmente no Brasil, é uma situação geológica em que massa de terra continental são soerguida de forma lenta e continuada. Esse soerguimento vertical pressiona toda a massa que compõe a área do território sul-americano, que por sua vez soergue o Planalto Central do Brasil, o Planalto da Borborema no Nordeste, especificamente a Cimeira Estrutural Pernambuco-Alagoas. Antonio Carlos Professor de Geografia (UFPE), ao caracterizar esse recorte regional do Planalto da Borborema afirmou que este setor define-se na paisagem da Borborema, de norte para sul, a partir das imediações do Município de São Caetano-PE, assumindo uma feição topográfica mais homogênea em relação aos setores circunvizinhos, onde predominam as cristas e relevos residuais. Os tremores sísmicos ocorrem com notoriedade no agreste especificamente em Caruaru, atua sobre antigas e recentes falhas que compõe a estrutura geológica e geomorfológica resultando em tremores sísmicos. Segundo Gorki Mariano professor doutorem Geologia da UFPE, diz que: "É como se a América do Sul estivesse sendo comprimida por uma gigantesca mão".



Observa-se na figura acima representação cartográfica do mapa do território de Pernambuco em cor salmão. Os pontos em cor vermelha representa os locais onde foram registrados tremores sísmicos, as setas elucidam a compressão geológica em função das convergência de placas sobre a América do Sul, Brasil, Nordeste,e consequentemente sobre o lineamento de Pernambuco que no mapa aparece representado por um traço em cor branca em parte reto e levemente sinuoso, quase coincidindo com traçado da BR federal 232. Caruaru situado no centro do agreste nesse aspecto é o foco dos tremores devido a presenta de convergência de várias falhas. Imagem:noticiasbol.



Na figura acima ver-se em primeiro plano parte do espaço urbano de Caruaru, por trás das construções verticalizadas é possível observar o alinhamento do relevo escarpado que forma a estrutura geológica e geomorfológica denominado de Lineamento de Pernambuco.

Essa movimentação tectônica e própria da dinâmica planetária da Terra, mas em Pernambuco tem uma relação direta com a estrutura geológica. Segundo Lucivânio Jatobá na estrutura geológica de Pernambuco há uma grande falhas denominado Lineamento de Pernambuco, que conforme Lucivânio Jatobá (2008) é dos mais importantes aspectos da Geologia Estrutural do Nordeste Oriental esse Lineamento de Pernambuco, esse possui um cumprimento de aproximadamente 750 km, tendo uma direção geral E-O, estendendo-se desde as mediações do Recife a Paulistana, no Piauí, e caracteriza-se pela presença de uma extensa falha de rejeito direcional. (JOTOBÁ; LINS, 2008). Desse modo por sua dinâmica quando ocorre movimentos tectônicos, seja na área de divergência de placas do Oceano Pacifico, ou ainda na área de divergência das placas do Oceano Atlântico, ocorrem dispersão de energia no Lineamento Pernambucano em diferentes graus de sismicidade.

O PROBLEMA DA DATAÇÃO E DOS REGISTROS EM CARUARU

A datação dos eventos sismológicos de Caruaru leva a um problema complexo que envolve três condições de temporalidade, uma geológica-geomorfológica, a temporalidade histórica do surgimento do povoado que vai da origem ao município, e por fim a datação dos registros do primeiros tremores.

A primeira datação geológica refere-se ao surgimento da falha geológica denominada Lineamento de Pernambuco esteja relacionada ao soerguimento da Plataforma Americana que elevou o Planalto Central Brasileiro, e consequentemente o atual Planalto da Borborema, em escala que abrange a fragmentação do Pangeia até a condição de divergência e convergência de placas a qual vivencia-se, essa temporalidade geológica abrange uma mensuração temporal que varia entre 350 m.a -75 m.a.

A datação dos tremores também nos traz problemas, isso porque muito registros de tremores não tiveram registros e nem acompanhamento da imprensa, muito menos do acompanhamento dos LabSis da Universidade do Rio Grande do Norte. Embora sem registro muito se fala de registro de tremor em Caruaru no anos de 1924, mas não há comprovação, isso porque a imprensa da época na se preocupava em registrar os fatos relacionado ao tremores. Dessa forma considerando apenas o que se tem registro e acompanhamento o que se iniciou apenas nos últimos 30 anos.

A atividade sísmica em Caruaru mais antiga teriam ocorrido no ano de 1835, mas a maioria dos eventos registrados são sismos ocorridos ao longo do século XX e XXI. No séculos XX por exemplo há um total de 8, e no século XXI o total foi de 24. A série de tremores (enxame sísmico) de maior impacto ocorreu em janeiro de 1967 causando pânico e mudança de cidade entre alguns moradores, embora o tremor de maior magnitude (dia 21/01) só tenha alcançado a magnitude 3.8.


Sismograma registrou o abalo sísmico de 3.8 de magnitude entre São Caetano e Caruaru (Foto:Divulgação/ LabSis/UFRN).Fonte G1. 28/02/2016.

Estudos apontam que a cada ano ocorrem no Planeta Terra cerca de 500 mil terremotos, mas apenas 100 mil podem ser sentidos, e destes apenas 100 causam algum tipo de impacto (RICHARDS,J;2013), A totalidade dos registros sísmicos em Caruaru totalizam 32, considerando apenas o que se tem registros no LabSis/UFRN temos um total de 18, mas quando somados aos registrados no jornais locais esse numero chega a 32. Não se sabe também como foi feito os registros do anos anteriores ao acompanhamento do LabSis da UFRG, mas é bem provável que era feiro na universidade, e que somente em 2006 e que foi instalados sismógrafos nas proximidades das falhas.

REGISTRO DAS OCORRÊNCIAS DE SISMICIDADE NA CIDADE DE CARUARU-PE – ESCALA RICHTER

REGISTRO DE SISMICIDADE NA CIDADE DE CARUARU-PE –ESCALA RICHTER
    DATA
MAGNITUDE
IMPRENSA
FONTE
Total
21/01/1967
3.8°
Vanguarda

01
29/01/1970
3.9°
Vanguarda

02
20/10/1974
3.6°
Vanguarda

03
04/05/1983
3.0°
Vanguarda

04
07/05/1983
3.5°
Vanguarda

05(1/2)
16/12/1983
3.5°
Vanguarda

06(2/2)
08/11/1984
3.8°
Vanguarda

07
08/10/1993
3.4°
Vanguarda

08
01/05/2000
3.2°
Vanguarda

09
28/05/2002
3.2°
Vanguarda

10(1/5)
29/05/2002
2.3º
Vanguarda

11(2/5)
20/06/2002
3.5°
Vanguarda

12(3/5)
30/06/2002
3.8°
C.Sis.Usp
C.Sis.Usp
13(4/5)
16/08/2002
2.8
C.Sis.Usp
C.Sis.Usp
14(5/5)
20/05/2006
4.0°
Vanguarda
LabSis/UFRN
15(1/2)
28/06/2006
3.1°
Pe360graus.com

16(2/2)
20/02/2007
3.9°
Galileu, n.187

17(1/2)
30/06/2007
3.5°
G.1.Caruaru

18(2/2)
23/02/2009
3.3°
G.1.Caruaru

19(1/3)
25/11/2009
2.1°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
20(2/3)
27/11/2009
2.4°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
21(3/3)
26/03/2010
2.4°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
22
17/11/2011
2.0°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
23
18/02/2012
1.8°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
24(1/2)
29/03/2012
3.1°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
25(2/2)
03/02/2015
2.4
C.Sis.Usp
C.Sis.Usp
26(1/10)
04/02/2015
2.0°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
27(2/10)
06/02/2015
1.5
C.Sis.Usp
C.Sis.Usp
28(3/10)
07/03/2015
1.8
C.Sis.Usp
C.Sis.Usp
29(4/10)
03/03/2015
2.0°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
30(5/10)
02/07/2015
2.0°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
31(6/10)
25/07/2015
3.3°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
32(7/10)
23/08/2015
2.9
C.Sis.Usp
C.Sis.Usp
33(8/10)
30/08/2015
3.8
C.Sis.Usp
C.Sis.Usp
34(9/10)
05/11/2015
2.2°
G1.Caruaru
LabSis/UFRN
35(10/105)
24/06/2016
1.8
C.Sis.Usp
C.Sis.Usp
36
Tabela 1:Registros de sismos no Brasil. Autor: Natalicio de Melo Rodrigues, 2016.

MAGNITUDE E FREQUÊNCIA ANUAL NO MUNDO COMPARADO COM OS SISMOS OCORRIDOS EM CARUARU- PE.
Como se observa na tabela de sismos de Caruaru que apontou um total de 32 registros, ver-se que a maioria do tremores ocorrem na escala que situam entre 2 e 2.9, e diminuem progressivamente conforme aumenta a magnitude estabelecido na tabela (Registro de Sismo no mundo). Essa mesma tendência que elucida tremores entre 2 e 2,9 também foi observado na tabela de eventos sísmicos que ocorre em Caruaru. Outro fator que se deve levar em consideração quando se compara os números de sismo ocorridos em Caruaru, e que o quantitativo são bem menores e relativamente pouco frequente, o que denotam que embora apresente tendência nos números o quantitativo é extremamente baixo, ou seja de cada 1.300.000 tremores na escala de 2 e 2,9 apenas 9 tremores foram registrados em Caruaru. Por outro lado na escala que varia de 3 e 3,9 considerados com ligeiros onde registrou-se 130.000 no mundo foram observados em Caruaru um total de 22, por fim os tremores considerados moderados que varia de 4 a 4,9 foram vistos em Caruaru apenas 01 dos 13.000 já registrados até agora em todo planeta. Os tremores - que dois (-2) ocorrem cerca de 8.000 por dia em todo mundo, mas são imperceptíveis, e também ocorrem em Caruaru.

REGISTRO DE SISMO NA ESCALA DE INTENSIDADE

Os registro de sismos feitos no Brasil, como é o caso da Caruaru feito pela UFRN se baseia na escala Richter, também conhecida como escala de magnitude local ou M_L, é uma escala logarítmica arbitrária, de base 10, utilizada para quantificar a magnitude de um sismo. A escala foi construída calculando o logaritmo da amplitude horizontal combinada (amplitude sísmica) do maior deslocamento a partir do zero num tipo particular de sismógrafo de torção, o sismógrafo de Wood-Anderson. O nome da escala é uma homenagem ao seu criador, o sismólogo norte-americano Charles Francis Richter (1900-1985).


Fonte:Google.com.Imagens. Escala Richter.

Tabela 2: Escala de Magnitude dos registros no mundo.


Tabela 3: Registro de magnitude dos sismo em Caruaru. Autor: Natalicio de Melo Rodrigues,2016.
O SIGNIFICADO DAS MAGNITUDES DO TERREMOTOS DE CARUARU
Ao observar os dados que mensura os sismos de Caruaru, ver-se que em sua maioria são registros de magnitudes que variam entre 2 - 2,9 foram registrados nove, enquanto que os de magnitudes 3-3,9 foram 22 registros, compondo a maior parte da totalidade dos registros. Entretanto não fácil conceber mentalmente o que significa a dimensão desses tremores. Uma das maneiras de entender o que significa são as representações em gráficos, uma vez que um gráfico tem a capacidade de elucidar o que de fato os números significam. Entre tantos gráficos disponíveis na internet o melhor e mais objetivo em mostrar comparações do que significa a escala Richter, e que retrata na forma de círculos ou esferas, porque esse tipo permite fazer comparações visuais, como se ver na figura a seguir.

Nota-se que os tremores registrados em Caruaru são muito pequenos quando comparados aos tremores na forma de terremotos do tipo forte(Strong), destrutivo (Destructive), desatrosos (Disatrous), ou catastrófico (Catastrophic).


REGISTRO DE INTENSIDADE DOS SISMO DE CARUARU NA ESCALA TEMPORAL

As tabelas 4 e 5 mostras a distribuição dos registros sismológicos ocorrido no Agreste de Pernambuco, especificamente na cidade de Caruaru onde estão instalados os sismógrafos LabSis/UFRN. Observa-se que nesse tabela mostra apenas o grau de intensidade, dessa forma quando aparece um numero no topo da coluna vermelho mostra o de maior intensidade no ano de ocorrência. Por exemplo, em 2015 foram registrados cinco tremores sísmicos, três de intensidade 2,0, um de 2,2, e um registro de 3,3 que foi o de maior intensidade, por tanto esse de intensidade de 3.3 aparece como limite maior. Nos anos em que não houve registros na imprensa, como por exemplo em 2014 aparece um numero 1.0. Quanto aos quantitativos onde se atribui 1,0, como são casos de 2014, 2013, 2008, 2007, 2005, 2004 e 2001 presente na tabela 4, justifica-se porque o planeta Terra é dinâmica, e os terremotos ou sismo são resultado de acumulação de forças, desse modo mesmo não perceptível pela população é perceptível pelos sismógrafos mas por ser de pouca intensidade não são divulgados e nem considerados pela imprensa, mas considerados na escala Richter.

A tabela foi dividida por causa do pouco espaço da pagina do Blog. A divisão não foi aleatoria, obtou-se por dividir por século, desse modo a Tabela 4 mostra os registros do Século XXI considerado os períodos anuais do ano de 2000 a ao ano de 2016. Por sua vez a Tabela 4 mostra os sismos do século XX e os períodos anuais de 1983 a 1999. No século XX registrou apenas dois sismos importantes foi os casos dos anos de 1984 quando ocorreu um sismos de 3,8 e 1983 dois sismos de 3,5.


Tabela 4:Registros de graus de intensidade dos sismos do Século XXI período de 2016-200. Autor: Natalicio de Melo, 2016.



Tabela 5:Registros de sismos do Século XX período de 1999-1983. Autor: Natalício de Melo, 2016.

Como se observa, comparando os eventos sísmicos na escala espacial mundial com a escala local de Caruaru ver-se que os movimentos sísmicos registrados em Pernambuco, segue a tendencia de grandeza, ocorrência e frequência dos registros ocorridos em outras partes do mundo. A conclusão que tem a partir dos dados levantados apontam que no Século XX os tremores mais significantes ocorreram apenas duas vezes, um no anos de 1984 e outro em 1983, em ambos acima de 3,8. No século XX os dados elucidam uma maior dinâmica na falha denominada Lineamento de Pernambuco, com um variedade de sismos significantes que variam entre 2,0-2,9 a 4,0. Quando ocorrem é por dois anos seguidos, sendo intercalados por dois anos de baixa atividade com sismos na Escala de Richter no valor de 1.0. No século atual observa-se que as atividades sísmicas tem sido mais frequente em todo mundo, algo nunca visto na historia geológica da Terra desde sua estabilidade holocênica.

Embora parte da imprensa e pessoas queiram passar um ideia assustadora, os números dos eventos sísmicos em Caruaru são de baixa frequência temporal e não continuada, com espaços em alguns casos anuais entre os eventos, e aponta para terremotos em escalas espacial de magnitude considerada do tipo pequeno e rápido, condição em que oferecem pouca possibilidade de danos as construções e estruturas urbana e riscos a segurança da população.

TEORIAS RELACIONADAS COM EVENTOS SÍSMICOS

Terremotos, também chamados de abalos sísmicos, são tremores passageiros que ocorrem na superfície terrestre, são explicados vias duas teoria que ao longo do tempo se complementaram formando um só viés de explicação aplicados a dinâmica planetária, são os casos da Deriva Continental e a Teoria da Tectônica de Placas. Esse fenômeno natural pode ser desencadeado por fatores como atividade vulcânica, falhas geológicas e, principalmente, pelo encontro de diferentes placas tectônicas.

Em conformidade com a teoria da Deriva Continental de autoria de Alfred Wegner (1930), mas tarde aperfeiçoada passando a ser denominada Tectônica de Placas (teoria moderna), nas bases das quais afirma-se que crosta terrestre é dinâmica e comporta-se como uma camada rochosa fragmentada, ou seja, ela é formada por vários blocos, denominados placas litosféricas ou placas tectônicas. Esses gigantescos blocos estão em constante movimento, podendo se afastar (zona de divergência) ou se aproximar (originando uma zona de convergência).



Conforme a Teoria da Deriva Continental todos os continentes constituíam uma grande massa denominada Pangeia, mas tarde há 225 m.a iniciou-se a deriva. Fonte J.board.Tv.USA. 2010.

Nas zonas de convergência pode ocorrer o encontro (colisão) entre diferentes placas tectônicas ou a subducção (uma placa mais densa “mergulha” sob uma menos densa). Esses fatos produzem acúmulo de pressão e descarga de energia, que se propaga em forma de ondas sísmicas, caracterizando o terremoto.O local onde há o encontro entre as placas tectônicas é chamado de hipocentro (no interior da Terra) e o epicentro é o ponto da superfície acima do hipocentro. As consequências podem ser sentidas a quilômetros de distância, dependendo da proximidade da superfície que ocorreu a colisão (hipocentro) e da magnitude do terremoto.



Observa-se uma mapa mundo elucidando a distribuição dos vulcões e terremotos.

A magnitude é a quantidade de energia liberada no foco do terremoto, sendo medida a partir de uma escala denominada Escala Richter. A intensidade é a consequência causada pela ação do sismo, a destruição provocada por esse fenômeno. Uma outra escala utilizada para se classificar a intensidade é a de Mercalli. Entre os efeitos de um terremoto de grande magnitude em áreas povoadas estão a destruição da infraestrutura (ruas, estradas, pontes, casas, etc.), e mortandade da população. Quanto aos locais quando os sismos ocorrem nos oceanos provocam a formação de ondas gigantes (tsunamis), ondas podem atingir as áreas continentais, gerando grande destruição, principalmente as áreas costeiras.

Milhares de terremotos ocorrem diariamente no mundo, mas nem todos são registrado, isso porque não há sismógrafos instalados a esmo, por outro lado a maioria dos que são registrados reapresentam baixa intensidade e tem hipocentro muito profundo, sendo assim, os terremotos são pouco percebidos na superfície terrestre. Os lugares mais atingidos por terremotos são os territórios localizados em zonas de convergência de placas, em especial os países situados nos limites das placas tectônicas. Entre as nações que estão nessa situação podemos destacar o Japão, Indonésia, Índia, Filipinas, Papua Nova Guiné, Turquia, Estados Unidos da América, Haiti, Chile, entre outras.


Mapa mundi representando as convergência e divergências de placas. Fonte:BBC.com.2013.

CONCLUSÕES

Face aos dados obtidos, conclui-se que: os estudos realizados no Brasil desde a década de 70 mostram que a atividade sísmica no Brasil vem aumentando e não deve ser negligenciada, que os sismos em Pernambuco especificamente em Caruaru devam ser monitorados e melhor estudados uma vez que há parcos estudos disponíveis.

As Teoria da Deriva Continental e a Teoria da Tectônica de Placas constitui sim modelo teóricos para explicar fenômenos sísmicos relacionados a falhas geológicas de Caruaru-PE, porem com sempre com o cuidado de observar sua escala.

O Nordeste é uma das regiões sujeitas a terremotos no Brasil, com magnitude média de 3,5 graus na chamada Escala Richter (que variam de 0° a 10°).

O Lineamento Pernambuco que tem 700 km de extensão e cerca de 12 quilômetros de profundidade. Começa no Oceano Atlântico, na cadeia de montanhas submersas (Dorsal Atlântica), e adentra o continente após o Recife, passando por municípios como Pombos, Bezerros, Caruaru, São Caetano, Tacaimbó, Belo Jardim, Pesqueira, terminando em Arcoverde. Um outro setor ressurge em Floresta e vai até Ouricuri, no Sertão do Araripe, quase na divisa com o Piauí, tem relação direta com fenômenos sísmicos registrados em Caruaru-PE.

O uso do software Google Earth na pesquisa para localização das falhas geológica foi positivo, principalmente quando se considera em lidar com objeto de grande escala espacial como é caso da cidade de Caruaru-PE.

Que conforme os dados históricos dos registros de sismos obtidos da pesquisa, observa-se que a atividade sísmica em Caruaru mais antiga teria ocorrido no ano de 1835, mas a maioria dos eventos registrados são sismos ocorridos ao longo do século XX e XXI.

Por que desde o primeiro registro de tremor em Caruru-PE até os dias hoje totalizam 32 tremores distribuído da seguinte forma e em acordo com a escala Richter: 9 sismos na escolas de 2° a 2,9°; 22 sismos na escalas que vai de 3° a 3,9° e apenas 1 na escala 4°.

REFERÊNCIAS
  • -Revista do Instituto Geológico, São Paulo, 31 (1/2), 35-52, 2010 35 MEGAGEOMORFOLOGIA E MORFOESTRUTURA DO PLANALTO DA BORBOREMA Antonio Carlos de Barros CORRÊA Bruno de Azevêdo Cavalcanti TAVARES Kleython de Araújo MONTEIRO Lucas Costa de Souza CAVALCANTI Daniel Rodrigues de LIRA-LabSis da UFRN.
  • JATOBÁ, LUCIVANCIO. Introdução a Geomorfologia, Recife, Bagaço. 2008.
  • JON RICHARDS; ED SIMKINS. O mundo em Infográficos, Rio de Janeiro, Sextante, 2013.
  • WWW.Wolfram Alpha.